Ideias

a aliança prejudicada

Por |
| Tempo de leitura: 2 min
Xadrez
Xadrez

O casamento de Jair Bolsonaro com o PSL durou apenas um ano e meio. O namoro, cheio de declarações e amor e planos para o futuro, chegou ao auge nas eleições do ano passado, quando a dupla alcançou a presidência do país. Mas, com dificuldade simples de manter a casa em ordem e ainda muita gente dando pitaco, o divórcio foi inevitável.

A saída do presidente de mais um partido não mexe apenas com os ânimos de Brasília, já que 2020 é ano eleitoral para os municípios e o PSL criou uma base sólida com a votação do ano passado. Com a mudança de Bolsonaro para o Aliança Brasil, o xadrez político começa a se movimentar de maneira mais intensa.

Primeiro porque o clã bolsonarista, leia-se os 'filhos presidenciais', já mostrou que a manobra mira principalmente o milionário fundo partidário garantido pelo já ex-partido de Bolsonaro. A sigla, que foi catapultada ao Palácio do Planalto, conseguiu, na esteira do presidente, se tornar, por exemplo, a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, além de ter eleito quatro senadores.

Vale lembrar que o Aliança será o nono partido da carreira política de Bolsonaro, nos últimos 30 anos. O argumento de que não se encaixa não convence, até porque o presidente deixou o PSC e se filiou ao PSL, em março do ano passado, justamente para a disputa das eleições. Antes, ficou por 15 anos no PP, o partido com mais políticos investigados, por exemplo, pela Operação Lavar Jato.

Aqui no Vale, muita gente já estava pronta para usar o PSL como um trampolim político, de olho na eleição de 2020. O partido, inclusive, criou uma estratégia ousada e firme, empenhado em criar um diretório em cada cidade da região, recrutando possíveis nomes para as disputas no Legislativo e também no Executivo.

Com Bolsonaro no Aliança, resta saber o futuro destes apoiadores. Ou todo o planejamento apenas muda de figura, trocando a antiga sigla pelo novo nome, ou muitos terão que 'correr o risco' de continuar vestindo a camisa do PSL, mas sem a força da imagem do presidente. A onda Bolsonaro atingiu níveis altíssimos em 2018, mas vê a maré baixar a cada ato polêmico ou declaração condenável, do próprio ou de sua equipe. A partida de xadrez está só nos primeiros movimentos..

Comentários

Comentários