Os metalúrgicos da Embraer aprovaram a proposta de acordo para suspensão de contratos de trabalho (layoff) e redução de jornada e de salário. A medida visa evitar demissões.
A votação foi realizada pelos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos e de Araraquara.
Em São José, a votação, que foi feita por meio de assembleia virtual, começou na terça-feira (14) e terminou às 13h desta quinta-feira (16). Com a aprovação da proposta, o acordo coletivo entra em vigor no dia 22 de abril.
A proposta também já havia sido aprovada nas unidades de Gavião Peixoto e Botucatu.
Segundo o sindicato, entre os 5.955 trabalhadores que participaram da assembleia, 92% (5.485) votaram a favor da proposta e 6% (353) contra as medidas, e ainda 2% (117) se abstiveram.
As ações terão duração de 60 a 90 dias e garantia de emprego por quatro meses a partir da assinatura do acordo ou pelo período correspondente ao tempo em que estiver em redução de jornada e salário ou suspensão do contrato, o que for maior.
Para os empregados em atividades essenciais e trabalho presencial, não haverá alterações na jornada ou salários. Tal grupo compreende cerca de mil trabalhadores, 10% dom efetivo da empresa em São José.
Segundo a Embraer, os profissionais que passarão a desempenhar suas atividades em home office terão redução de 25% da jornada de trabalho e no salário pelo período de 90 dias. A garantia de emprego será por período corresponde ao que estiver nessa condição. Esses profissionais também terão direito ao auxílio do governo federal de até R$ 453.
No geral, a proposta ainda prevê redução de 17,5% a 36,35% sobre o salário líquido.
O grupo com suspensão temporária do contrato de trabalho (layoff) por dois meses terá a ajuda compensatória mensal, conforme faixa salarial, já somada ao benefício emergencial de preservação do emprego pago pelo governo federal.
O sindicato se posicionou contrário ao corte no salário e criticou a permanência de trabalhadores na fábrica de São José. Um grupo de mil empregados está em serviços essenciais na unidade. Eles representam 10% do efetivo.
“Neste momento em que o isolamento social é uma questão de vida ou morte, é inaceitável que a Embraer insista em manter trabalhadores na fábrica”, disse André Luis Gonçalves , o Alemão, diretor do sindicato.
Em nota, a Embraer informou que “permanecerá em contínuo diálogo com os clientes, fornecedores e governos para atender as necessidades essenciais do setor e da população, priorizando sempre a saúde e segurança dos seus colaboradores e a preservação de empregos”.