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o novo engavetador?

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gaveta, engavetador
gaveta, engavetador

A famosa lista tríplice da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) não nasceu à toa. A eleição interna dos procuradores teve início em 2001, como uma resposta da categoria à opção do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de manter no comando da PGR (Procuradoria Geral da República), durante todo seu mandato, Geraldo Brindeiro.

Por engavetar todos os inquéritos que deveriam ter investigado as denúncias surgidas no governo FHC, como o escândalo da pasta rosa e a compra de votos da emenda da reeleição, Brindeiro entrou para a história com o apelido de "engavetador-geral da República".

Desde então, os petistas Lula e Dilma Rousseff indicaram o primeiro da lista. Michel Temer (MDB) escolheu Raquel Dodge, a segunda. Afinal, embora não seja obrigatória, a escolha de um nome da lista representa o respeito à autonomia do MPF (Ministério Público Federal).

Por essas razões, a indicação de Jair Bolsonaro (PSL) para a PGR -- o subprocurador-geral Augusto Aras, que sequer se candidatou à lista tríplice -- passa claramente a ideia de que o pesselista pretende fazer com o MPF o mesmo que já fez com o antigo Coaf e o que deseja fazer com a Polícia Federal: indicar pessoas que tenham compromisso político com ele. Impossível não associar todos esses movimentos com as denúncias que envolvem o clã Bolsonaro, como a 'rachadinha' de Flavio, o suposto nepotismo com Eduardo como embaixador, os depósitos e cheques de Queiroz, que atingem até a primeira-dama...

Enquanto promove todo esse desmonte das instituições responsáveis por combater a corrupção no país, o presidente, que foi eleito com discurso diametralmente oposto, ainda mantém sob humilhante fritura o outrora 'superministro' da Justiça, Sergio Moro.

Mesmo pressionado por policiais federais, procuradores e afins, que cobram do ex-juiz federal um posicionamento forte contra esse desmonte, Moro ainda insiste em emprestar ao governo sua popularidade (que é maior do que a do presidente).

O que mais Moro precisa passar para decidir esvaziar suas gavetas e deixar o ministério? Até porque, pelo que se nota, as gavetas passarão a ter outro uso no governo Bolsonaro: abafar escândalos..

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