Ideias

Dando com uma mão e retirando com a outra

Por Jober Rocha Doutor em Economia |
| Tempo de leitura: 1 min
Queda de avião em Minas Gerais
Queda de avião em Minas Gerais

No quarto debate das primárias democratas, realizado no dia 15 de outubro, em Ohio, USA, a senadora democrata Elizabeth Warren propôs um imposto sobre grandes fortunas; proposta que foi discutida e avaliada por seus colegas de partido, que concordaram sobre a necessidade de mais impostos sobre a renda dos milionários e das grandes corporações. Alguns deles, no entanto, afirmaram que a proposta era inconstitucional.

No Brasil, embora previsto na Constituição de 1988, o IGF (Imposto sobre Grandes Fortunas) nunca foi regulamentado e o argumento é o de que a experiência mundial demonstra que isto não funciona. Pessoas físicas mudariam seus domicílios para outros países e empresas jogariam o imposto no custo de seus produtos ou serviços. Talvez pudesse funcionar se o mundo todo o adotasse, mas seria de difícil aplicação entre países capitalistas, comunistas e socialistas e, ainda neste caso, seus benefícios não seriam recebidos, igualmente, pela população mundial.

Ao falar de grandes fortunas me refiro a uma pequena minoria de seres humanos e de empresas que, na maioria dos países ao redor do mundo, detém o poder, faz as leis, manipula as informações e elege os governantes. Tais grupos, caso taxados em suas fortunas, encontrariam sempre meios legais de receber de volta (isenções, subsídios, benefícios fiscais, etc.) tudo aquilo que os governos, porventura, lhes retirassem, através de impostos sobre seus patrimônios.

Melhor deixá-los quietos e imaginarmos melhores formas de cortar gastos nos três poderes, de combater a corrupção e os desvios de dinheiro público, além de distribuir mais equitativamente a renda..

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