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Projeto joseense propõe unir diferenças através da música eletrônica

Por Thais Perez@_thaisperez |
| Tempo de leitura: 2 min
ÁLBUM.
Influências da dupla musical vão do manguebeat ao punk rock, com experimentações no eletro pop
ÁLBUM. Influências da dupla musical vão do manguebeat ao punk rock, com experimentações no eletro pop

A força da natureza tem sua própria música, uma junção de sons distintos, em sintonia na beleza do orgânico.

A modernidade criou consigo uma série de ruídos, dos toques de celulares até a estática da televisão analógica em dias chuvosos: uma sinfonia do caos.

Dois extremos que parecem tão distantes, se unem em uma só coisa: a expressão do atual é uma mescla entre o natural e o sintético, tanto nas relações humanas, quanto na paisagem em que vivemos.

O duo Komunga surgiu em São José dos Campos para ser uma ponte entre esses dois mundos. O projeto musical de Julio Rhazec e Lucas Baumgratz conta com influências que vão do punk rock até o manguebeat, unindo extremos para criar um conceito de aldeia global.

Com sons de sintetizador, guitarra, baixo e tambores, os músicos propõe um resgate à ancestralidade, eletrificando-a com a atualidade.

"Nossa ideia é unir a cultura afro brasileira e a indígena junto com a música eletrônica. Gostamos de pensar em como essas culturas seriam se tivessem o acesso à modernidade que temos hoje", afirma Lucas Baumgratz.

Os músicos criaram duas personas teatrais para dar vida ao projeto, com direito a figurino produzido pelos músicos. Lucas encarna Urucum, da cultura indígena, uma entidade que ficou esquecida por anos, mas foi resgatada através da tecnologia. Julio faz o papel de Risoflora, uma entidade sem gênero, que atende a necessidade e ajuda dos negros durante a diáspora da escravidão.

Em seus shows, a dupla apresenta ainda um terceiro personagem, a placa-mãe, uma voz que conversa com o público e apresenta dados entre as músicas. A dupla também usa como recurso visual em seus shows as projeções audiovisuais.

Komunga -- que remete à comungar e à comunhão, foi o nome escolhido pelo duo para sintetizar a criação de um novo mundo pela conexão entre extremos.

Em suas letras, o Komunga aborda temas como a intolerância religiosa e a desconexão nas relações humanas. Com músicas protesto em sua essência, a dupla propõe uma união entre gêneros, tribos urbanas e entre o velho e o novo.

"Escolhemos fazer essa comunhão entre dois universos, porque isso está em nossas referências. Todos nós temos visões diferentes de mundo, mas nos encontramos com as mesmas vontades e intenções", completa Baumgratz. .

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