Não é criando novos impostos que o país voltará a crescer, e foi essa mentalidade anacrônica que derrubou Marcos Cintra.
Agora ex-secretário da Receita Federal, Cintra foi um dos principais defensores da iniciativa de resgatar a CPMF - imposto sobre transações financeiras que já foi aplicado entre 1997 e 2007 - e acabou demitido nesta semana, decisão certamente influenciada pelo desgaste com o tema.
É inconcebível a intenção de aumentar a carga tributária, que é a forma mais burra de buscar o crescimento. Não podemos aceitar esse pensamento arrecadatório, como o manifestado pelo ex-secretário.
O cenário atual é muito diferente da época em que a CPMF vigorou, com juros na menor baixa histórica e pouca margem para onerar ainda mais o cidadão. Fica fácil prever consequências como o aumento de custos na produção de bens e serviços, tornando-a pouco competitiva com outros países, pois a cobrança é em cascata, incide sobre ela mesma várias vezes, em cada etapa de produção e comercialização. Internacionalmente, o estratagema também está em desuso: apenas países com graves crises econômicas, como os vizinhos Argentina, Venezuela e Bolívia, apelaram recentemente para a adoção do imposto sobre transações, com resultados duvidosos.
Felizmente, o presidente Jair Bolsonaro tem mantido discurso contrário à volta do tributo. É preciso deixar o empresário trabalhar, com menos burocracia e mais transparência. Só assim a receita do país cresce, com geração de empregos e aumento no poder de compra, movimentando toda a cadeia produtiva..