Ideias

o terço de bolsonaro

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Terços. Mergulhado em uma belicosa polarização política, o Brasil é hoje um país de coração partido, dividido. Mas, ao contrário do que se pode imaginar, não está dividido, seccionado em duas partes. São três, como as pesquisas de avaliação de governo mais recentes e ainda o contexto complexo da eleição de 2018 deixam muito claro, cristalino. E, do lado direito do ringue, há o terço do eleitorado que está com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) até debaixo d' água, após nove meses de um desgoverno que demonstra não ter qualquer projeto de país e, por meio de crises diárias, lança o Brasil em um pesadelo formado por tão assustadores retrocessos. Do outro lado, está o terço do eleitorado brasileiro identificado com partidos da esquerda, que fazem oposição ao pesselista. Resta um outro terço, que não se identifica nem como de direita ou de esquerda, que tem um perfil mais neutro. Foi este eleitorado que, temendo o retorno do PT e bombardeado por fake news como kit gay e outros, optou majoritariamente pelo voto em Bolsonaro e decidiu o pleito.

No início do mês, o Instituto Datafolha mostrou que a aprovação de Bolsonaro mantém-se em uma queda vertiginosa. Na comparação entre abril e agosto, o índice de brasileiros que consideravam o pesselista 'ótimo ou bom' passou de 32 para 29%. Quem considerava a administração regular variou de 33 para 31%. A avaliação de ruim ou péssimo subiu de 30 para 38% de abril a agosto.

O levantamento mostra os três blocos bem definidos, já com um crescimento na rejeição a Bolsonaro. Nos primeiros oito meses de governo, ele apresenta maior rejeição que seus antecessores Dilma Rousseff (11%), Lula (10%) e Fernando Henrique (15%).

No caderno Brasil& de hoje, na página 11 desta quarta-feira, OVALE mostra levantamento da Paraná Pesquisas que revela: 69,5% dos brasileiros dizem que as declarações do presidente -- que defende ditadores e torturadores, debocha de mortos políticos, recomenda a ida dia sim e dia não ao banheiro como medida de proteção à natureza, entre outras frases lamentáveis -- prejudicam o país.

Alimentando o seu terço cativo, apostando no confronto e na pauta de costumes, o governo está na mão do eleitorado mais neutro -- e que dá sinais de estar se cansando da balbúrdia implantada por Bolsonaro, que se vendeu como novo mas é representante daquela velha e triste política.

Deserto de ideias, o governo tem somente uma chance: é retomar o crescimento da economia do país, mesmo que à revelia de Bolsonaro, o que até aqui não dá sinais de que ocorrerá. Resta ao presidente rezar pelo milagre econômico.

Quem sabe até, como católico que é, rezando um terço?.

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