Qualquer um que circule por São José dos Campos já se deparou com bicicletas brancas, em canteiros de ruas, avenidas e rodovias.
No total, são oito delas espalhadas em diferentes regiões da cidade que tem em comum um trágico fim: todas elas simbolizam ciclistas que morreram em acidentes.
As bicicletas que antes significavam a liberdade de quem pedala, ficam nos locais em que as mortes ocorreram para lembrar um triste fim.
Pintadas de branco e estampando o nome de cada vítima, as Ghost Bikes, como são chamadas em todo o mundo, são verdadeiros fantasmas de uma realidade que preocupa.
Somente no ano passado, São José teve nove mortes de ciclistas, ano com mais acidentes mortais desde 2015.
Para homenagear esses ciclistas, a diretora Auira Ariak está produzindo uma série de mini documentários chamada "Ghost Bikes - Vidas Invisíveis", financiado pelo Fundo Municipal de Cultura.
O primeiro de seis vídeos será lançado neste domingo, dia 22, no Dia Mundial Sem Carro. O evento acontecerá no Poliesportivo do Altos de Santana (Av. Altos do Rio Doce, 801), a partir das 16h. Todos estão convidados a irem de bicicleta.
"A ideia é reforçar que, a escolha pela bicicleta ainda é uma boa opção tanto para a saúde, quanto para o meio ambiente", disse Auira, diretora do filme.
Intertitulo
Na série de filmes, Auira mostra a história de cada Ghost Bike instalada em São José. Uma das mais reconhecidas é a que está na ponte que dá acesso ao Parque da Cidade, na região norte da cidade.
Ela pertence a Josias Borges de Morais, de 16 anos, que faleceu em 2015. Ele estava com outro amigo que resistiu aos graves ferimentos, mas teve que amputar uma das pernas.
"São retratos de pessoas que saíram de casa para fazer algo e nunca mais voltaram", disse Auira.
O documentário também registrou cenas de trabalhadores do bairro Chácaras Reunidas que transitam sem segurança nas vias ao sair do serviço.
"Muitas pessoas utilizam a bicicleta por falta de outra opção. Por ser mais barato e também para ter o controle de tempo, já que no ônibus em algumas situações não conseguimos saber quando vamos chegar", explica Auira.
Para representar os ciclistas que foram vítimas do trânsito, o documentário mostra de mostra poética uma figura que transita em uma bike branca, deixando uma margarida no local de cada Ghost Bike.
"Queremos conscientizar as pessoas e mostrar que falar da morte também é falar da vida", completa a cineasta.