O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a provocar o governo brasileiro nesta segunda-feira ao citar, mesmo que teoricamente, a opção da internacionalização da gestão das florestas. Macron, que garantiu que tal opção não faz parte do pacote aprovado pelo G7, fez questão de assegurar que os países sul-americanos foram alvos de consultas nos últimos dias antes do anúncio da iniciativa.
O pacote fechado no G7 prevê duas etapas de atuação. Num primeiro momento, US$ 20 milhões serão destinados para os incêndios. Já numa segunda etapa, um esforço internacional será costurado para permitir que medidas para o reflorestamento da Amazônia possa ocorrer. Nesta segunda fase, o debate ocorrerá na ONU e com a presença do governo brasileiro.
Mas Macron completou a apresentação da iniciativa com uma provocação, deixando em aberto a questão sobre o status internacional da floresta caso um governo tome decisões contra os interesses do planeta.
"Associações, ongs e atores, já há vários anos - por vezes alguns atores jurídicos internacionais - levantaram a questão para saber se podemos definir um status internacional da Amazônia", disse Macron nesta segunda-feira ao responder a uma pergunta de um jornalista em Biarritz.
"Hoje, não é o caso da iniciativa que tomamos. Mas é uma questão que se coloca. Se um estado soberano toma, de forma clara, concreta, medidas que evidentemente se colocam em oposição ao interesse de todo o planeta. Há todo um trabalho jurídico, político a ser feito", apontou.
No mesmo discurso, Macron completou dando garantias de que, no pacote apresentado neste fim de semana, não haveria risco de qualquer violação das fronteiras de um país. De acordo com o francês, esse não foi o caminho que o debate tomou ao citar a conversa que o presidente do Chile, Sebastian Piñera, teve com Bolsonaro no domingo.
Para Macron, o brasileiro "deve ser respeitado" como ator desse caso. Ele ainda voltou a insistir que as iniciativas de médio e longo prazo pela diversidade serão propostos durante a reunião da Assembleia Geral da ONU, em setembro. "Para respeitar a soberania de cada país", declarou.
Mais tarde, em uma segunda coletiva de imprensa, Macron deixou claro que a iniciativa sobre a Amazônia havia sido tomada depois de "conversas" com os líderes sul-americanos. "Como Trump queria", disse..