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ARREPENDIMENTO A JATO

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Combater a corrupção. Essa foi uma das principais promessas repetidas por Jair Bolsonaro na corrida presidencial de 2018. Afinal, apesar de ter quase 30 anos de sucessivos mandatos, com episódios de nepotismo, funcionários fantasmas e dinheiro suspeito para abastecer campanhas, o pesselista tentava se apresentar como um representante da nova política, defensor de práticas diferentes da velha política, representada na disputa por partidos como PT (Fernando Haddad), PSDB (Geraldo Alckmin) e MDB (Henrique Meirelles).

Com um discurso raso, apostando no aumento da polarização, Bolsonaro foi eleito presidente, convencendo mais de 57 milhões de eleitores no país. Entre os entusiastas do capitão estavam integrantes da força-tarefa da Lava Jato, como reconheceu essa semana o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, uma das figuras mais famosas da operação, e que foi um dos chefes da investigação.

"Na Lava Jato, muitos entenderam que o mal menor era Bolsonaro. Eu creio que essa era uma decisão até óbvia, pelas circunstâncias que Fernando Haddad representava justamente tudo aquilo que nós estávamos tentando evitar, que era o fim da operação", disse Lima, em entrevista à GloboNews. Na sequência, ele lamentou: "agora, infelizmente, o Bolsonaro está conseguindo fazer [acabar com a Lava Jato]".

Se a avaliação de Lima ainda não havia ficado clara, nessa quarta-feira o procurador detalhou o que -- para ele -- seria um acordo entre o governo Bolsonaro e o STF (Supremo Tribunal Federal) para enterrar a Lava Jato.

Para o ex-chefe da operação, "o que está acontecendo é simples" e passa por uma estratégia do presidente para proteger Flavio Bolsonaro, seu filho apelidado de 01, encrencado no Caso Queiroz. "Bolsonaro, para proteger o filho, escolhe para PGR alguém sem compromisso com a instituição", argumentou Lima, que narrou ainda outros pontos do acordo, como a Lei de Abuso da Autoridade e decisões de tribunais superiores para anular sentenças da operação, como ocorreu no STF essa semana.

Ou seja, para Lima, o "grande acordo nacional", narrado por Romero Jucá em 2016, sairá logo com Bolsonaro. Para quem defendia o combate à corrupção, as coisas mudaram a jato, não é?.

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