Apesar da ignóbil tentativa do governo Jair Bolsonaro (PSL) de esconder a verdade debaixo de um tapete entrelaçado por mentiras e desrespeito à ciência, onde há fumaça há fogo. Se de maneira estúpida e até infantil o Palácio do Planalto, chefiado por um autointitulado 'presidente motosserra', acreditava que iria realmente camuflar o frontal ataque perpetrado contra a Amazônia sem que o mundo descobrisse, essa esperança caiu definitivamente por terra nesta quinta-feira. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou o avanço do desmatamento na floresta como 'crise internacional' e cobra uma ação concreta do G7, o grupo dos sete países mais ricos do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido). "Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão do nosso planeta que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vejo vocês em dois dias para falar sobre esta emergência", postou o presidente francês no Twitter.
A pressão internacional atingiu o seu ápice depois da divulgação de imagens de satélites da Nasa indicando a ocorrência de inúmeras queimadas na Amazônia.
Esse avanço do desmatamento já havia sido mostrado por satélites do Inpe, instituto de São José dos Campos respeitado mundialmente. Ao invés de intensificar a fiscalização, Bolsonaro demitiu o então diretor do órgão, Ricardo Galvão, e, em um delírio nerônico e estapafúrdio, o acusou de ser ligado a ONGs e chamou os dados de mentirosos. Será que o presidente vai pedir também a demissão de Michael Coats, diretor da Nasa? Não seria ele um 'ongueiro', a serviço do desmatamento?
Em meio à grave crise amazônica, as justificativas do Planalto se assemelham a teorias da conspiração de quinta categoria, sem a menor conexão com a realidade. Ontem, o presidente incendiário voltou a atribuir as queimadas a ONGs, sem nenhum índicio mesmo rudimentar de prova, nada.
Classificado como 'pior diplomata do mundo' em artigo publicado pelo Washington Post em março, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil é alvo de 'falsidades ambientais' geradas para enfraquecer o país. Por quê? Porque, segundo ele, uma espécie de conspiração internacional tem medo das mudanças provocadas pelo governo Bolsonaro, responsável por um despertar brasileiro.
Em que país ele vive? Chocante.
Com oito meses, Bolsonaro fez o filme brasileiro ficar queimado em todo o mundo, e não estamos nos referindo aqui à Ancine.
É preciso salvar a Amazônia do presidente motosserra..