Punks, Discos Voadores e Hippies. Junte tudo e adicione à Monteiro Lobato, uma cidadezinha localizada ao lado de São José dos Campos, com pouco mais de 4 mil habitantes.
A roça brasileira sempre combinou com o mistério, ainda que o conceito americanizado de ficção científica permeie o imaginário popular. Seu silêncio, a desconfiança de seus moradores e seus locais sagrados são receita para um grande enredo.
"As Pirâmides Revolucionárias" é um livro de Thuder Dellú, que depois de escrever contos de terror para adultos, resolveu se aventurar pela primeira vez em um romance juvenil.
"Quando me sentei para escrever o romance, procurei me concentrar nas grandes paixões da minha vida. Partindo deste princípio, considerei que uma história juvenil seria mais apropriada para encaixar estes assuntos tão intensos e íntimo", afirma o escritor.
A trama se passa no ano de 1986 e começa no dia 9 de fevereiro, quando o Cometa Halley passou pelo Planeta Terra. Dois amigos presenciam o momento histórico e escutam vozes estranhas durante a passagem do Halley.
A partir daí, os dois partem em uma jornada de autoconhecimento, fantasias, novas amizades, realidades e muito rock'n'roll.
A primeira parte do romance é ambientada na pequena cidade de Monteiro Lobato e descreve as tradições locais, como os bonecos "Pereirões", as festas populares e o misticismo popular com a precisão de quem os conheceu bem de perto. Já a segunda parte começa com uma viagem por cidades do sul de Minas Gerais e termina na mística São Thomé das Letras.
Durante a caminhada, os protagonistas se deparam com situações e refletem sobre racismo, ditadura militar, capitalismo, passando por questões existenciais e humanas pertinentes à idade. Para ele, a essência do punk é contestadora e por isso esses temas permeiam o enredo.
"Escolhi a literatura juvenil por considerar que os jovens, ao contrário de muitos adultos, ainda estão abertos a um futuro menos repressor e retrógrado", explica o autor.
Thunder, que tocou em uma banda de rock por dezesseis anos, com a qual percorreu o Vale do Paraíba. "A música, principalmente o rock'n'roll, percorre todo o romance, do primeiro ao último parágrafo".
O escritor ainda ressalta a importância de retratar o interior de São Paulo tanto por conhecer bem a cidade de Monteiro Lobato, quanto pela identificação dos leitores.
"A identificação é imediata quando você ambienta adequadamente a história. A pessoa se reconhece naquele local", finaliza..