O período de janeiro a outubro de 2019 registra o maior número de mortes em confronto com a polícia no Vale do Paraíba da série histórica da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), que começa em 2005.
Nestes 10 meses, 25 pessoas morreram em confrontos com a polícia na região, segundo dados oficiais da SSP.
É uma morte a mais do que em 2017, também de janeiro a outubro, até então o mais violento, e supera o ano todo de 2006, com 24 mortes.
Detalhe: 2006 foi marcado pelos ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) a forças de segurança, o que elevaram as mortes em confronto.
As mortes levaram o 3º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) de São José dos Campos ao 10º lugar entre as unidades policiais do estado com a letalidade mais alta, segundo relatório da Ouvidoria da Polícia de São Paulo.
A unidade com mais mortes em confronto é o 2º Baep, em Santos, com 27 vítimas fatais entre janeiro e novembro.
No mesmo período, o 3º Baep de São José registra 10 mortes, segundo a Ouvidoria, superando o 4º Baep da capital, que atua na região leste e fechou o período com nove mortes.
Os Baeps seguem o "padrão Rota" de atuação da polícia e estão em expansão no governo de João Doria (PSDB), como uma medida para aumentar a sensação de segurança da população paulista.
A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é considerada a "tropa de elite" da Polícia Militar paulista e combate crimes de maior gravidade.
No Vale, o 3º Baep foi instalado em São José em agosto de 2014. Em março de 2019, após prometer outra unidade da "tropa de elite" no Vale, Doria optou pela instalação de um Caep (Companhia de Ações Especiais da Polícia) em Taubaté, que tem menos policiais do que o Baep. A unidade começou a operar no meio deste ano.
ANÁLISE.
Para especialistas, o aumento da letalidade precisa ser estudado pelo estado com profundidade e seriedade. "O aumento da letalidade policial é preocupante. Temos representado essa preocupação junto ao governo estadual", disse Benedito Domingos Mariano, ouvidor da Polícia de São Paulo.
Na avaliação dele, a letalidade policial aumentará em 2019 na comparação com o ano passado, em razão do baixo índice de esclarecimento dos casos. Mariano disse que a "Corregedoria da PM só investiga 3% de inquéritos desta natureza".
No Vale, os 10 meses de 2019 já superaram em 14% todo o ano de 2018, quando foram registradas 22 mortes em confronto com a polícia.
'Maioria das vítimas fatais durante confronto é reincidente no crime', diz PM
O comando da Polícia Militar na região diz que os policiais são "treinados para prender e salvar vidas", sendo que o confronto é "sempre uma escolha do criminoso". Segundo a PM, a maioria das vítimas fatais ou feridas durante confronto é reincidente no crime, com "farta ficha criminal, evidenciando a necessidade de uma reavaliação da legislação".
"Quem quer o confronto sempre é o criminoso. A polícia se preocupa com o cidadão de bem", disse o coronel José Eduardo Stanelis, comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior). "Quando o bandido atira, a única coisa que a polícia se preocupa é em defender a própria vida".