O desemprego em massa no país é um fato inquestionável e desumano. O Brasil tem hoje 13 milhões e 500 mil pessoas em condições de extrema pobreza e 12,5 milhões de pessoas sem emprego, uma taxa de 11,8%. Além dessa situação desesperadora, pesquisa recente do IBGE revela que o avanço do trabalho informal é recorde, atingindo 38,8 milhões das pessoas, 41,4% do total de ocupados.
Ainda assim, tentam passar a ideia de que o brasileiro agora é empreendedor. Não, ele está desempregado e procura se virar como pode, quando consegue fazer alguma coisa pelo seu sustento e de sua família. Não há nenhum empreendedorismo, mas questão de sobrevivência. Querer incentivar o tal espírito empreendedor é tentar tornar legal a precarização do trabalho. O desempregado como novo empreendedor se sujeita a jornadas longas em péssimas condições de trabalho, sem nenhum direito assegurado e muita insegurança em seu futuro profissional.
Esse papo de empreendedor é para tirar do Estado a responsabilidade por políticas públicas que proporcionem emprego e um salário digno. Nesse contexto, a reforma trabalhista destruiu direitos e a reforma previdenciária também irá enquadrar o trabalhador.
Portanto, esse discurso de empreendedorismo, onde a pessoa busca alcançar o sucesso batalhando "por conta própria" é um engodo sem igual, uma conversinha para precarizar o trabalho com todo tipo de exploração.
O retrocesso histórico em que jogaram o país trouxe de volta o desemprego em massa, a fome e a miséria do povo brasileiro; um obscurantismo bestial que dificulta vislumbrar um futuro menos desumano..