Uma empresa de São José dos Campos, que prestou serviços ao vereador Juvenil Silvério (PSDB) na campanha eleitoral de 2012, cobra do tucano na Justiça o pagamento de cheques que somam R$ 100 mil.
A dívida, segundo versão apresentada no processo pela SL Comércio e Serviços em Comunicação, é decorrente de um esquema arquitetado pelo parlamentar para irrigar a campanha daquele ano com recursos não declarados, o popular 'caixa dois'.
Movido desde julho de 2016 pela empresa, o processo deve ser julgado nos próximos dias pela 5ª Vara Cível de São José. A ação cobra apenas o pagamento dos cheques. Não há notícia de que o caso seja investigado pelo Ministério Público. O vereador nega qualquer irregularidade.
A SL prestou serviços de divulgação para a campanha de Juvenil em 2012. Entre agosto e setembro daquele ano, o PSDB emitiu, por meio de seu comitê financeiro, quatro cheques para a empresa, com valor total de R$ 72,5 mil. A declaração do tucano à Justiça Eleitoral cita mais três pagamentos à empresa, entre julho e setembro, que somam R$ 12,1 mil para publicidade por placas, estandartes e faixas.
Na ação, a SL narra que Juvenil, "na condição de coordenador da campanha eleitoral do PSDB" naquele ano, era o responsável pelos pagamentos. E que o vereador "compelia o proprietário da empresa" a "endossar os cheques dados em pagamento pelos serviços e devolvê-los", sob a "alegação que necessitava de dinheiro para a campanha política e os cheques dados eram necessários para a prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)".
Durante o processo, ficou comprovado que os cheques emitidos pelo PSDB foram depositados na conta de José Antônio Braz, servidor da prefeitura cedido à Câmara entre 1989 e 2017, quando se aposentou. De janeiro de 2013 até o fim da carreira, Braz atuou no gabinete de Juvenil.
O proprietário da empresa, Edirlei da Silva Moreti, diz que após várias tentativas de receber o dinheiro, foi nomeado em 2014 para atuar no gabinete do tucano, para "amortizar a dívida" com o salário recebido. Após um desentendimento entre os dois, Moreti foi exonerado em julho de 2015. Assim, para completar o pagamento, Juvenil teria emitido os três cheques, que somam R$ 100 mil. Depois, no entanto, tentou sustá-los no banco, o que levou ao ajuizamento da ação.
Braz não foi localizado pela reportagem. Juvenil contesta a versão da empresa. O tucano diz que os três cheques foram cedidos por ele a um sobrinho, que teria usado serviços de "agiotagem" do proprietário da SL. "O cheque é meu, mas a dívida foi feita pelo meu sobrinho". O vereador disse não saber por que os cheques do PSDB foram depositados na conta do ex-assessor..