Brasil

Fatura da erotização precoce

Por Carlos Alberto Di FrancoDoutor em Comunicação pela Universidade de Navarra |
| Tempo de leitura: 2 min
Preocupação. Os jovens estão cada vez mais expostos nas redes
Preocupação. Os jovens estão cada vez mais expostos nas redes

O leitor, na mídia tradicional e nas redes sociais, é o melhor termômetro para medir a temperatura da sociedade. Tomar o seu pulso equivale a uma pesquisa qualitativa informal. Aos que há anos me honram com sua leitura neste espaço opinativo, transmito uma experiência recorrente: família, ética e valores aumentam o índice de leitura. Dão ibope. Há uma forte demanda de pautas positivas. As pessoas estão cansadas do bombardeio politicamente correto, da interdição do debate. Querem reflexão aberta, sem tabus ideológicos.

Escreva algo, sublinhavam alguns dos e-mails que recebi, a respeito da desorientação da juventude. Não faço coro com os pessimistas. Meu olhar é positivo. Tem uma molecada fantástica, batalhadora e idealista, fazendo muita coisa boa, sobretudo na cultura digital.

Reconheço, no entanto, que nem tudo são luzes. A tecnologia trouxe imensos benefícios. Mas deixou os jovens mais vulneráveis. A Sociedade Brasileira de Pediatria, acendeu o sinal amarelo durante o 39º Congresso Brasileiro de Pediatria.

Termos como "sexting" e "cyberbullying" foram o foco de uma palestra de Marco Antônio Chaves Gama, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP. O "sexting", troca de mensagens ou imagens de teor sexual, é o campeão no universo dos adolescentes. A garotada se expõe com facilidade através de nudes (imagens da pessoa nua) e, ingenuamente, acredita que a pessoa do outro lado vai mantê-la consigo. A disseminação dessas fotografias pode causar outros dois problemas: a sextorsão e o cyberbullying. O primeiro, explica Gama, é quando a pessoa que detém a foto passa a chantagear ou extorquir o fotografado. Em sua apresentação, o médico destacou que esse ciclo de abuso pode perdurar no decorrer dos anos, contribuindo, muitas vezes, para o suicídio. Já o segundo, é a versão digital da violência, humilhação e agressão cometida contra outra pessoa. Crianças e adolescentes não estão preparadas para lidar com frustrações e decepções. Isso pode levar, em casos extremos, ao suicídio.

A erotização descontrolada está apresentando pesada fatura. Segundo um especialista, situações delicadas estão acontecendo e são mascaradas pela tecnologia. Hiperssexualização, cyberbullying e abusos podem passar desapercebidas pelo fato de que os adolescentes estão o tempo todo "quietos" diante da tela. Transmitem, assim, a impressão de que tudo está bem.

O problema é serio. Graças ao impacto da TV e da internet, qualquer criança sabe mais sobre sexo, violência e aberrações do qualquer adulto de passado não tão remoto. Não é preciso ser psicólogo para que se possam prever as distorções dessa perversa iniciação precoce..

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