O desmatamento da Floresta Amazônica aumentou 29,5% em 12 meses e alcançou 9.762 quilômetros quadrados, maior área desmatada na Amazônia desde 2008, de acordo com o novo levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
As informações do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) foram divulgados nesta segunda-feira na sede do Inpe, em São José dos Campos, pelos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), além do diretor interino do instituto, Darcton Damião.
O período pesquisado pelo Prodes vai de agosto de 2018 a julho de 2019, com seis meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL), que entrou em colisão com o ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, após divulgação de dados do desmatamento da floresta, em julho deste ano. Galvão foi demitido do cargo.
Salles disse que o desmatamento é, em grande medida, "consequência da ausência de política econômica para a Amazônia".
"Pressão das atividades econômicas, parte delas ilegais, pressionaram o desmatamento, como garimpos ilegais, extração de madeira ilegal, ocupação do solo ilegal e ações que precisam ser atacadas na origem", afirmou o ministro.
Ele procurou adotar um tom conciliador e disse que o importante é definir as estratégias futuras para conter o desmatamento, mas não deixou de defender o governo.
"O que vimos foi de 29% [de aumento] e está longe dos números de três casas decimais usados nesse período [sobre aumento do desmatamento] como manchete. O que temos para fazer é estratégia de desenvolvimento sustentável, colocar em prática um ambientalismo de resultado".
Na próxima quarta-feira, Salles disse que terá reunião com os governadores dos estados cortados pela Amazônia para debater medidas contra o desmatamento.
"Dados demonstram que temos que adotar estratégia diferente para conter o desmatamento. Ministério vai discutir com governadores da Amazônia quais são as medidas para reduzir o desmatamento de maneira sustentável. Vamos repassar recursos para fiscalização, equipamentos e para reduzir o desmatamento", contou o ministro.
O Prodes revelou que a taxa de desmatamento da Amazônia cresceu nos últimos sete anos e que a média entre 2005 a 2019 é de 11,4% por ano, menos da metade do aumento de 29,5% no período 2018-2019.
Apenas o estado do Pará é responsável por 40% da área desmatada, seguindo de Mato Grosso (17%), Amazonas (14%) e Rondônia (12%). Juntos, os estados somam 84% da área desmatada --8.213 km².
LABORATÓRIOS.
O ministro Marcos Pontes disse que é preciso levar mais ciência e tecnologia à Amazônia como forma de ajudar no combate ao desmatamento. "Existe esforço no ministério de aumentar a presença da ciência na região. Podemos trazer mais cientistas e pesquisa que vão contribuir para reduzir [o desmatamento] e melhorar a região", afirmou.