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Deltan diz que Toffoli não teve 'responsabilidade'

Por Das agências@jornalovale |
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O ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol
O ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol

O procurador de República Deltan Dallangol, coordenador da Operação Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal) no Paraná, considerou uma "irresponsabilidade" do ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ao afirmar ao jornal 'O Estado de S. Paulo' que a força-tarefa "destruiu empresas", em função do que chama de falta de clareza da legislação sobre acordos de colaboração premiada para pessoas jurídicas.

"Dizer que a Lava Jato quebrou empresas é uma irresponsabilidade. Primeiro: É fechar os olhos para a crise econômica relacionada a fatores que incluem incompetência, má gestão e corrupção. Segundo: É culpar pelo homicídio o policial porque ele descobriu o corpo da vítima, negligenciando o criminoso. Os responsáveis são os criminosos. A Lava Jato aplicou a lei", comparou ele, em seu perfil no Twitter, na tarde desta segunda-feira.

"É, assim, fechar os olhos para a raiz do problema, a prática por muitos políticos e empresários de uma corrupção político-partidária sanguessuga, que drena a vida dos brasileiros. É fechar os olhos para o fato de que a Lava Jato vem recuperando por meio dos acordos mais de R$ 14 bilhões de reais para os cofres públicos, algo inédito na história", prosseguiu.

Dallagnol disse ainda que a Lava Jato seguirá aplicando a lei, que, em sua avaliação, ainda é muito "inefetiva" no Brasil. "Nos Estados Unidos, a prisão acontece depois da primeira ou segunda instância. Sem efetividade da lei, não há rule of law ou estado de direito", ressaltou.

A reação de Dallagnol ocorre depois da publicação de uma entrevista concedida por Toffoli na sexta em que afirma que as investigações da Lava jato destruíram empresas.

"A Lava Jato foi muito importante, desvendou casos de corrupção, colocou pessoas na cadeia, colocou o Brasil numa outra dimensão do ponto de vista do combate à corrupção, não há dúvida. Mas destruiu empresas. Isso jamais aconteceria nos Estados Unidos. Jamais aconteceu na Alemanha. Nos Estados Unidos tem empresário com prisão perpétua, porque lá é possível, mas a empresa dele sobreviveu. A nossa legislação funcionou bem para a colaboração premiada da pessoa física. Mas a da pessoa jurídica não ficou clara", disse, na ocasião..

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