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torturando a verdade

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Pinochet
Pinochet

Dia 10 de dezembro de 2006. Augusto José Ramón Pinochet Ugarte morre no Hospital Militar de Santiago, em La Reina, após um ataque cardíaco. Às 14h15, o coração do general Pinochet parou de funcionar após 91 anos -- 23 dos quais como um cruel e sanguinário ditador, que comandou o Chile entre os anos de 1973 e 1990, com mãos de ferro, depois do golpe militar que culminou com a morte trágica do presidente Salvador Allende no Palácio de La Moneda. De forma irônica, o atroz déspota chegou ao fim da vida em 10 de dezembro, data em que celebra-se em todo o planeta o Dia dos Direitos Humanos.

Falando nisso, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse estar preocupada com a 'redução do espaço democrático' no Brasil. De acordo com ela, a maior preocupação refere-se às ameaças contra defensores da natureza e dos direitos humanos, destacando a alta nas mortes em confrontos com a polícia em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Bachelet mostrou ainda preocupação com a negação, por parte do Palácio do Planalto, do golpe militar de 1964. "Esses aspectos são importantes quando se ouve negações de crimes estatais do passado, o que é personalizado pela proposta de celebração do golpe militar", disse a alta comissária da ONU.

Questionado sobre essas declarações, o presidente Jair Bolsonaro fez elogios à ditadura Pinochet e criticou Bachelet, que, segundo o inepto chefe do Executivo brasileiro, 'só defende bandido'.

Pior. Repetindo a mesma prática condenável que usou contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que teve o seu pai morto pelas forças de repressão durante o período de chumbo, Bolsonaro se referiu ao pai da ex-presidente do Chile, o general Alberto Bachelet, que foi preso na ditatura Pinochet e acabou sendo assassinado.

"Se não fosse o pessoal do [Augusto] Pinochet derrotar a esquerda em 1973, entre eles o seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Acho que não preciso falar mais nada para ela", disse Bolsonaro.

A própria Bachelet chegou a ser presa em 1975, um ano depois da morte do pai. E não estava só. Na ditatura Pinochet, uma das mais violentas do século 20, estima-se que 80 mil pessoas tenham sido presas, 30 mil torturadas. Foram mais de 3.000 assassinatos.

Bolsonaro, que já havia elogiado Alberto Ulstra e o paraguaio Alfredo Stroessner, precisa aprender o que diz a história: Pinochet foi um genocida, torturador e corrupto, que desviou milhões e milhões de dólares.

O presidente brasileiro, a cada declaração, mostra que vivemos uma ditatura da ignorância..

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