Seu nome é uma combinação de palavras que juntas podem significar "Dona de um Destino Amargo". Inspirada no poema épico Homero, Amara Moira teve o poder de escolher seu nome depois da transição. "Gosto de pensar que o amargo não é necessariamente um gosto ruim", afirma a travesti em entrevista a OVALE.
Doutora, escritora, professora e transsexual, Amara Moira é o exemplo de que, por mais que as oportunidades para minores sejam minadas, sempre haverá alguém para resistir e subverter as regras.
Neste sábado, ela participa de uma mesa literária na FLIM (Feira Litero Musical) no Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos.
No domingo, ela participa do Piquenique Literário. que vai analisar seu livro "E Se Eu Fosse Pura".
Quando pequena, aprendeu a ler sozinha ainda muito pequena e na adolescente conheceu as escritoras Clarice Lispector e Agatha Christie, obras que a tiravam fora da zona de conforto, mais do que uma distração.
A literatura e o ato de escrever a fez descobrir-se, aos poucos, mais à vontade consigo mesma. "Sempre fui muito isolada. Os livros foram uma companhia e me fizeram ter contato com realidade das quais nunca seria inserida", conta Amara.
O sentimento de solidão continuou crescente, que Amara preencheu na prostituição ao mesmo tempo que concluía seu doutorado em Literatura na Unicamp. Nesse período, Amara escreveu seu livro contando suas experiências e rotina durante o tempo em que trabalhou como prostituta.
Doutora e professora, Amara deixou de ser objeto de estudo em sala de aula para ganhar voz frente aos alunos. Abandonou sua posição privilegiada de homem branco e bissexual para questionar tudo a sua volta. "Na universidade, me aceitaram como trans, mas não como feminista".
EDUCAÇÃO.
Amara conta que antes de sua transição, conseguia posições para lesionar Literatura em escolas importantes. Agora, como mulher trans, esse espaço não pode ser ocupado por ela. Esse impedimento fez com que a escritora refletisse sobre sua posição como educadora.
"Eu não poderia ficar só sentada atrás de uma mesa cheia de livros, consumindo e escrevendo artigos científicos. Eu preciso reivindicar uma mudança no espaço acadêmico, não só para mim, mas também para os negros, nordestinos. Presenciei no meio acadêmico atitudes inaceitáveis de discriminação"..