Ideias

POETA CAÇA, RI E SENTE A SUA 'DEXISTÊNCIA'

Por João Júlio da SilvaJornalista em São José dos Campos |
| Tempo de leitura: 1 min

O sangue das horas escorre dentro da noite, enquanto a mentirosa de olhos verdes convida Martim Cererê, um dia depois do outro: Vamos caçar papapaios?

Os sobreviventes revelam a face perdida no jardim das hespérides, onde borrões de verde e amarelo espalham canções da minha ternura.

Do alto da montanha russa Jeremias sem-chorar toca a flauta de pã e o arranha-céu de vidro teme o elefante que fugiu do circo. João Torto e a fábula tranquilizam: Deixa estar, jacaré!

A difícil manhã grita poemas murais, 25 sonetos mais poesias completas e poemas escolhidos na "dexistência" de Cassiano Ricardo.

É assim que descrevo a bibliografia poética do ilustre joseense. Quando seres obtusos atacam a cultura e a educação no país, a lembrança do poeta é oportuna, pois de 22 a 27 de outubro será realizada a 53ª Semana Cassiano Ricardo. "A poesia tem um dever com sua época e está associada ao destino dos homens, e aos problemas e perplexidades de nosso instante", disse certa vez o poeta, que nasceu em 26 de julho de 1894 em São José dos Campos e morreu em 14 de janeiro de 1974 no Rio de Janeiro. Ele foi um dos protagonistas da Semana de Arte Moderna de 1922 e ocupou a cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras.

Neste tempo de obscurantismo é preciso sair da letargia. "Desculpa que cada um de nós se dá... Chamar-se de sobrevivente a um subvivente. Frágil expediente", alertou Cassiano.

"O silêncio respira a pura essência que tece a urdi/dura da existência... sob a névoa da minha de/xistência", escreveu o poeta. Como ele, tento também caçar, rir e sentir a dexistência..

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