Ideias

A LUTA ENTRE RAZÃO E EMOÇÃO

Por Gaudêncio TorquatoJornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação |
| Tempo de leitura: 1 min

O mote da década de 50 acompanhou por muitos anos a vida dos consumidores: "vale quanto pesa". O símbolo da balança, estampado na embalagem, não apenas garantia a legitimidade do "sabonete das famílias", mas reforçava o conceito de verdade. O consumidor constataria não haver um grama de peso a mais ou a menos. Era a época da "verdade verdadeira". De lá para cá, a verdade passou a perder substantivos e a ganhar superlativos, dando vazão ao bordão desses tempos virtuais: "vale muito mais do que pesa".

A observação cai bem no momento em que a política no Brasil começa a rejeitar os velhos paradigmas. Nesse ano eleitoral, o superlativo dominará a expressão política, a verdade se cobrirá com as cores da ficção, sob a capa de fake news, e o mundo real dividirá suas cores com o virtual. A passarela entre esses dois universos será pavimentada por três tipos de argamassa: a razão, a emoção e a polarização.

O campo da razão disputará com a emoção. Bolsonaro, de um lado, e Lula, de outro, são os dois líderes do cabo de guerra. A linguagem de ambos é embalada celofane emotivo. Mas a movimentação social no Brasil, nos últimos tempos, mostra que a razão amplia laços. Os comportamentos racionais estão relacionados à modernidade. Atente-se para o ethos nacional, cuja composição agrega valores como cordialidade, improvisação, exagero, paixão. O resultado aparece na "alma caliente" dos trópicos, em contraposição à frieza anglo-saxã. Se muitos segmentos ainda votam com a emoção, outros buscam apoio nos pilares da razão: o voto sai do coração para subir à cabeça..

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