A 30ª edição do Relatório Mundial da organização internacional HRW (Human Rights Watch), divulgado na tarde desta terça-feira em Nova York, dedica 9 de suas 652 páginas ao Brasil. No documento, a ONG denuncia o que chama de "carta branca" dada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) ao desmate ilegal da Amazônia e o incentivo à letalidade policial. Em nota, o Planalto disse que não irá comentar o relatório.
Os ataques de Bolsonaro à imprensa, a exaltação de torturadores e a negação dos crimes da ditadura também foram destacados pela ONG como exemplos de como o Brasil "assumiu uma agenda contra os direitos humanos, adotando medidas que colocam em maior risco as populações já vulneráveis".
A Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, em português) é uma organização não-governamental de presença mundial fundada em 1978 nos Estados Unidos. No Brasil, a ONG se estabeleceu em 2014 e tem forte atuação no combate à violência policial e na violência contra povos indígenas. A HRW produz relatórios sobre violações aos direitos humanos no mundo e denuncia governos que desrespeitam esses direitos.
O relatório da ONG ressalta, contudo, que o sistema judiciário e o Congresso brasileiros impediram que algumas dessas políticas se tornassem realidade.
O relatório usa dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2014 a 2018 (um ano antes do início do início do governo Bolsonaro) para mostrar que o número de pessoas mortas por policiais vem aumentando gradativamente e chegou, em 2018 a um recorde: 6.220 vítimas.
DESMATAMENTO.
"O governo Bolsonaro deu carta branca a essas redes (de desmatamento ilegal da Amazônia) ao cortar recursos e minar o poder das agências ambientais", diz o relatório.
"O ataque do presidente Bolsonaro às agências de fiscalização ambiental está colocando em risco a Amazônia e aqueles que a defendem. Sem nenhuma prova, o governo tem culpados ONGs, brigadistas e povos indígenas pelos incêndios", afirma Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil.
Até o fechamento desta edição, o Palácio do Planalto ainda não havia se manifestado sobre o assunto..