Os sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos e Araraquara enviaram cartas à Presidência da República pedindo que o presidente Jair Bolsonaro vete o negócio entre Embraer e Boeing.
A justificativa é que a Embraer teria demitido 300 trabalhadores em dezembro, o que a companhia nega, além do anúncio da suspensão da produção dos aviões 737 Max da Boeing, feita pela empresa na última segunda-feira, nos Estados Unidos.
A Embraer também teria demitido 50 funcionários da Aviação Executiva nesta quarta-feira.
“Os sindicatos querem que Bolsonaro considere o veto como forma de impedir a quebra da mais importante indústria aeronáutica do país, que está prestes a passar para as mãos da Boeing justamente num momento de grave crise”, informaram os sindicatos.
A carta também foi enviada aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, para que intercedam junto a Bolsonaro e recomendem o veto à venda da Embraer. O presidente autorizou a transação comercial em janeiro deste ano.
“É sabido que o tipo de produto e tecnologia gerado nas fábricas da Embraer necessita de constantes investimentos. Se com tal crise a direção da Boeing já sinaliza que não investirá na planta do Brasil, o que restará em um futuro muito próximo serão fábricas de peças e componentes de aviões”, dizem os sindicatos na carta.
OUTRO LADO
Em nota, a Embraer afirmou que contratou mais do que demitiu em 2019. Leia a seguir o posicionamento da empresa na íntegra.
“A força de trabalho da Embraer permanece estável e o índice de rotatividade de pessoal (turnover) encontra-se dentro do nível médio histórico, em comparação aos anos anteriores. Ao longo deste ano, em preparação para a formação da nova companhia em parceria com a Boeing, foram contratadas 2.000 pessoas.
Somente na unidade de Eugênio de Melo, em São José dos Campos, que vai expandir sua capacidade de 1.500 para até 4 mil funcionários, a obra gerou temporariamente 600 empregos e representou investimentos de cerca de US$ 30 milhões.
Os funcionários da linha de montagem da Aviação Executiva foram avisados desde agosto da transferência para Gavião Peixoto e a maioria deles concordou com a mudança ou com a transferência para outras áreas em São José dos Campos - Unidade Eugênio de Melo. Quem não for transferido, irá receber benefícios adicionais para apoiar a transição”.