A formula de concessão casada adotada pela ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) para as Via Dutra e a BR-101 (Rio-Santos) é um mecanismo sem pé nem cabeça. Unir umbilicalmente duas rodovias com perfil e funções completamente diferentes é a aplicação inversa da máxima popular do "leve dois e pague um". No caso, é leve uma e pague duas rodovias. Isto porque 35% dos recursos da Dutra serão drenados para obras e investimentos em 243 km da Rio-Santos, entre Angra dos Reis e Ubatuba, em uma matemática perversa que tem o potencial de tornar mais caro o preço do pedágio na principal rodovia do país. Quem ganha com isso? Os usuários da Dutra é que não. Mais: pelas regras apresentadas pela ANTT na audiência pública realizada em São José dos Campos, nos primeiros cinco anos de concessão, a Dutra receberia apenas recursos para manutenção. Investimentos, de fato, só na BR-101.
Esse é o motivo principal pelo qual a Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos veio a público, por meio de uma "Carta Aberta", para pedir mudanças nas regras de concessão da Via Dutra. Mas não é só: na carta de intenções da ANTT faltam obras importantes para a região, como Marginais em toda a extensão da pista entre São José dos Campos e Jacareí (a partir de Eugênio de Melo), em todo o trecho urbano de Taubaté e entre as cidades de Aparecida e Guaratinguetá.
Temos que olhar para o futuro com coragem.
Por isso, a ACI de São José dos Campos pede que outras entidades de classe da RMVale analisem as regras de concessão e tomem posição. Essa é uma bandeira que vale a pena defender..