Em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Essencial, a secretária de Finanças, Odila Sanches, negou que o governo Ortiz Junior (PSDB) seja o responsável pelos atrasos nos pagamentos dos salários dos médicos que prestam serviço à empresa. Em oitiva na tarde dessa segunda-feira, Odila afirmou que, embora venha sofrendo com problemas na arrecadação, a prefeitura nunca atrasou repasses à empresa por questões financeiras. "Estamos passando por sérias dificuldades financeiras, fazemos reprogramações, mas não com relação à saúde, quando você implica isso em salário".
A secretária disse que, em determinadas ocasiões, o repasse não foi feito na data estipulada, mas afirmou que isso ocorreu por falta de apresentação da documentação necessária por parte da Essencial.
"Se por ventura uma dessas certidões [negativas] a empresa deixou de apresentar, a nota nem segue", disse. "Às vezes a empresa tem todas as certidões negativas, mas o relatório da produção de serviço que ela encaminha à unidade gestora tem alguma inconsistência, não bate com o que tem relatado pelos técnicos da prefeitura", completou.
A versão de Odila contradiz os dois depoimentos colhidos pela CPI até então. Anteriormente, tanto o secretário de Saúde, João Ebram Neto, quanto Mauro Hamilton Bignardi, sócio da empresa, haviam creditado os atrasos nos salários dos cerca de 200 médicos terceirizados a falhas no repasse por parte do município. Devido a essa contradição, os integrantes da CPI cogitam fazer uma acareação entre Odila, Ebram Neto e Bignardi. Contratada em fevereiro de 2016, a Essencial atua em quatro unidades de urgência e emergência da rede municipal. A cada 15 meses, a empresa recebe R$ 39,9 milhões..