Política

Felicio detalha mudança feita após BID rejeitar obra do Arco

Por Julio Codazzi e Thaís Leite@jornalovale |
| Tempo de leitura: 3 min
Ponte estaiada. Arco da Inovação
Ponte estaiada. Arco da Inovação

O governo Felicio Ramuth (PSDB) detalhou nessa quinta-feira a 'manobra contábil' que foi realizada para garantir o pagamento do Arco da Inovação após o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) se negar a financiar a obra. A manobra começou com a inclusão no empréstimo de gastos com outras duas obras, que já haviam sido pagos pela prefeitura: desapropriações para a Via Cambuí (US$ 12,21 milhões) e despesas com a Via Oeste (US$ 1,91 milhão).

Com essa alteração, em 19 de junho de 2019 o BID reembolsou o município por esses gastos com a Via Cambuí e a Via Oeste. Com a cotação do dólar a R$ 4,064, os US$ 14,12 milhões viraram R$ 57,4 milhões - praticamente o mesmo valor da ponte estaiada, que custaria inicialmente R$ 48,517 milhões e já atingiu R$ 58,26 milhões.

"Nesse momento, em abril [de 2019, quando o BID avisou a prefeitura que o Arco da Inovação poderia ser considerado inelegível], já tínhamos de 30% a 40% de execução [da ponte estaiada], então era a obra que tinha que ser priorizada", disse Felicio. Em evento realizado na manhã dessa quinta-feira, o prefeito alegou que a verba recebida do BID como reembolso pela Via Cambuí e pela Via Oeste tinha restrições. "A cidade pode investi-los em qualquer ativo. Ativos porque ele veio de ativos e deve ser investido em ativos. Então não pode ser investido para pagar dívidas, não pode ser investido na saúde ou na educação, ele deve ser investido em obras de infraestrutura ou aquisição de áreas", disse.

Ouvido pela reportagem, o vereador Wagner Balieiro (PT) contestou essa versão. Para o petista, não havia nenhuma restrição para a aplicação da verba do reembolso. "Como é um dinheiro da prefeitura, poderia ser investido em qualquer coisa, não é vinculado", disse. O parlamentar ainda criticou a "manipulação do orçamento". "Acho inédito e grave, nunca vi um negócio desses".

À tarde, a reportagem voltou a questionar o governo Felicio sobre o tema. O jornal indagou qual seria o impeditivo de utilizar o recurso para, por exemplo, construir uma creche ou uma unidade de saúde. A gestão tucana informou que não prestaria novos esclarecimentos, por entender que a questão já havia sido debatida na coletiva pela manhã.

Em abril de 2018, quando a ponte estaiada foi anunciada, o governo Felicio afirmou que a obra seria financiada pelo BID. Em fevereiro de 2019, a pedido da prefeitura, o contrato com o banco chegou a ser alterado, para a inclusão do Arco da Inovação. Posteriormente, no entanto, o BID informou que a obra estava inelegível para o financiamento por falta de estudos de avaliação do impacto ambiental e social da construção e falhas nas consultas públicas.

Para a oposição, o governo agiu sem transparência ao omitir da população o fato da obra ter sido considerada inelegível. "Primeiro, a obra começou sem ter a certeza de que seria financiada pelo banco. Depois, mesmo com a negativa, a prefeitura continuou a dizer que era do BID", disse Balieiro. "Desde o primeiro dia, a obra do Arco da Inovação estava incluída no contrato do BID. Então, tudo aquilo que a gente declarava era verdade", rebateu Felicio, que disse não ter divulgado a posterior negativa do banco "porque para a população não mudou absolutamente nada"..

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