Ideias

a ditatura da mentira

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Ditadura e corrente
Ditadura e corrente

Apesar de entregue em junho do ano passado, tornou-se público agora um relatório elaborado pelo governo Jair Bolsonaro para a ONU (Organizações das Nações Unidas) a respeito dos casos de desaparecimento forçados no Brasil -- trata-se de uma obrigação de países que possuem tratados internacionais assinados com a entidade.

O documento, no entanto, não faz menção aos anos da Ditadura Militar, um dos mais obscuros períodos na história do país. Foram anos nefastos com a tortura institucionalizada, além do desaparecimento de opositores e manifestantes durante os anos de 1964 e 1985.

Os dados (ou a falta de dados) contidos no documento apresentado pelo governo, obviamente, foram contestados, até por não ser a primeira vez que o atual Planalto se recusa a falar sobre a gravidade do regime militar no país, ou relativiza os tristes fatos ocorridos durante os tão sofridos anos de chumbo. Há quem, acredite, negue até que o período ditatorial existiu.

E tem mais: no texto enviado à ONU, o Itamaraty deixa claro que defende anistiar crimes causados pela repressão durante a Ditadura. Mais um episódio na tentativa do governo, que elogia torturadores e tiranos, de impor uma nova e mentirosa narrativa dos fatos trágicos ocorridos em páginas dolorosas da história.

Durante seu primeiro ano de gestão, Bolsonaro não só tentou por diversas vezes esconder que houve o golpe de 1964 como também chegou a determinar que o Ministério da Defesa fizesse as "comemorações devidas" aos 55 anos do início do regime militar. Sem falar das costumeiras falas de seus filhos e aliados sobre um "novo AI-5", que aprofundou a violência e a repressão durante a ditadura.

À ONU, a intenção dos relatórios oficiais é, justamente, mostrar como a criação de novos mecanismos de trabalho vão ajudar a evitar que crimes assim aconteçam novamente.

O governo Bolsonaro tortura a verdade nos porões mais obscuros do República..

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