Estamos perto de computar no Brasil meio milhão de vidas perdidas pela Covid-19. Há um estudo apontando que este número pode ser pelo menos 30% maior, o que resultaria em cerca de 650 mil vidas perdidas para esta doença respiratória.
Segundo estudo recente da Vital Strategies, com base no Sivep-Gripe, temos no Brasil uma subnotificação dos casos graves e das mortes por Covid-19 de ao menos 30%. O trabalho comparou as mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG, desde o início da pandemia, que aparecem na estatística oficial como etiologia não especificada ou sem classificação final para Covid-19, com os dados históricos de 2018 e 2019, período que antecede a pandemia, e subtraiu os números médios observados nessas categorias. Com tal comparação verifica-se que há um número de óbitos pelo menos 30% maior no período pós-pandemia, não havendo outro vírus respiratório agudo que pudesse justificar este elevado número de óbitos, que não a Covid-19.
Graças ao governador João Doria, em 17 de janeiro de 2021, iniciamos a vacinação contra a Covid-19 no Brasil e, daí em diante, se não fosse a vacina do Instituto Butantan, cerca de 80% dos brasileiros imunizados ainda não teriam sido vacinados.
Lamentavelmente nosso Governo Federal, em caminho diverso ao dos demais países, apostou que esta pandemia seria uma gripezinha e que poderia ser tratada com medicamentos, que nem a medicina atesta serem eficazes ao combate da Covid-19. Erro grave e imperdoável, que certamente resultará em punições aos responsáveis.
De lá para cá, o que temos visto do Governo Federal, responsável pelo Programa Nacional de Imunização, é uma desorganização jamais registrada. Além de três mudanças do Ministro da Saúde em plena pandemia, já tivemos diversas alterações atrasando o cronograma de entrega de vacinas para os Estados.
Além da desorganização de nosso Governo Federal, vivemos um drama de não conseguir vacinar nosso povo, isto porque, como este Governo não comprou vacinas enquanto estavam disponíveis, hoje há falta de insumo no mercado mundial e, como dependemos da importação desta matéria para produzir nossas vacinas, estamos refém da sorte para imunizar os brasileiros.
Hoje precisaríamos vacinar pelo menos dois milhões de pessoas por dia e, apesar de termos estrutura para isto, não recebemos a quantidade necessária de insumos. Estamos vacinando a conta gotas.
Feitos estes breves, mas importantes esclarecimentos, não há dúvida que precisamos deixar de depender do IFA de países estrangeiros. Temos que, com urgência, trabalhar para produzir nossa própria vacina, sem precisar do insumo estrangeiro.
Por incrível que possa parecer, já temos uma vacina 100% brasileira, com o insumo produzido no Brasil pelo Instituto Butantan, a Butanvac, que está sendo fabricada e hoje já tem em estoque cerca de 8 milhões de vacinas produzidas. Seu processo de produção se assemelha ao da vacina da gripe, utilizado pelo Butantan há mais de dez anos.
Em 23 de abril o Instituto Butantan pediu autorização à Anvisa para iniciar os estudos clínicos da fase 1 e 2 da vacina Butanvac. Todavia, mesmo o Butantan tendo prontamente atendido todas as solicitações documentais feitas pela Anvisa, até hoje ela ainda não aprovou sequer os testes com humanos.
Vale registrar que o requerente, o Instituto Butantan, com 119 anos de existência, é o maior produtor imunobiológico do Brasil e o maior fabricante de vacinas da América Latina. Já entregou ao Governo Federal mais de 45 milhões de vacinas contra a Covid - 19.
Portanto, cada dia que passa sem que a Anvisa libere tais testes, mais brasileiros morrem sem terem a oportunidade de serem imunizados. Por tal motivo, faço aqui um apelo à Anvisa, que priorize a única possibilidade viável de salvarmos imediatamente a vida dos brasileiros, com uma rápida e ilimitada produção de vacinas, sem depender de terceiros e mais econômica. Precisamos imunizar os brasileiros para, consequentemente, podermos priorizar outros temas relevantes, como a economia, e, para tanto, Anvisa, só depende de você!.