VIOLÊNCIA

Metade dos homicídios na RMVale ocorreu no Vale da Fé e Litoral

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Claudio Vieira/PMSJC
Polícia Militar no Vale do Paraíba
Polícia Militar no Vale do Paraíba

As sub-regiões do Vale da Fé e do Litoral Norte lideram a violência no Vale do Paraíba em 2026, com a maior quantidade de vítimas de homicídio do que municípios maiores, como São José dos Campos, Taubaté e Jacareí, que abrigam metade da população regional.

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De janeiro a setembro de 2026, de acordo com dados oficiais da SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), as duas sub-regiões somaram 103 vítimas de homicídio, o que corresponde a 50% do total de mortes da região, que registrou 208 óbitos nos nove meses do ano – maior número entre as regiões do interior do estado.

As sub-regiões de São José dos Campos e Taubaté registraram 92 mortes em homicídios no mesmo período, 44% do total do Vale.

No entanto, enquanto as sub-regiões do Vale da Fé e do Litoral Norte concentram 28% da população da região, com 707,2 mil pessoas, as sub-regiões de São José e Taubaté têm 71% dos habitantes do Vale, com 1,77 milhão de moradores.

A sub-região do Litoral Norte (quatro cidades) lidera na região com 52 mortes e 25% da totalidade – apenas Caraguatatuba registrou 28 mortes em oito meses.

A sub-região de Guaratinguetá (nove cidades) vem em segundo, com 51 vítimas de homicídio no primeiro semestre (24,5% do Vale). As cidades com mais mortes foram Lorena (13), Aparecida (10) e Guaratinguetá (10).

A sub-região de São José dos Campos (oito cidades) registra 48 homicídios e 23% do total do Vale. São José lidera com 25 mortes, seguida de Jacareí, com 11, e Caçapava, com nove.

A sub-região de Taubaté (10 cidades) tem 44 mortes e 21% do total da região. Taubaté lidera com 20 óbitos. Pindamonhangaba registra 19 mortes.

Para fechar a RMVale, a sub-região do Vale Histórico (oito cidades) tem 13 homicídios e 6% do Vale. Cruzeiro é a mais violenta, com 10 mortes em 2026.

Cidades

Entre as 10 cidades do Vale com mais homicídios de janeiro a setembro, seis estão nas sub-regiões do Vale da Fé e do Litoral Norte.

O ranking da violência nos municípios da região tem as cidades: Caraguatatuba (28 mortes), São José dos Campos (25), Taubaté (20), Pindamonhangaba (19), Ubatuba (15), Lorena (13), Jacareí (11), Aparecida (10), Cruzeiro (10) e Guaratinguetá (10).

Elas concentram 77% do total de mortes registradas na região nos nove meses do ano, com 161 vítimas entre 208 assassinatos.

No grupo das 10 mais violentas, as cidades do Vale da Fé e Litoral Norte representam 41% das mortes, com 86 pessoas mortas em crimes violentos num total de 208 óbitos.

Já as cidades das sub-regiões de São José dos Campos e Taubaté têm 75 mortes e 36% da totalidade da região.

Crime violento

Os números mostram que o crime contra a vida ‘migrou’ das cidades maiores para as de médio e pequeno porte na região, com esses municípios aumentando cada vez mais a participação no total de assassinatos registrados no Vale, região com mais mortes no interior do estado.

O principal motivo é a disputa por território entre as duas mais perigosas organizações criminosas do Brasil – PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho).

O Litoral Norte e as cidades do Vale da Fé, que ficam próximas à divisa com o estado do Rio de Janeiro, vêm registrando aumento no número de assassinatos em meio à disputa entre as facções.

A disputa entre as facções é um dos principais desafios em segurança pública do novo mandato do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no domingo (4) para mais quatro anos à frente do Estado.

Em resposta anterior a OVALE, Tarcísio admitiu que a região é impactada pela disputa territorial entre facções criminosas do país.

“Isso é um reflexo da proximidade com o Rio de Janeiro. Isso é o crime organizado tentando, com as facções criminosas do Rio de Janeiro, ingressar no território de São Paulo e a contenção da facção hegemônica de São Paulo. É o Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigo dos Amigos contra o PCC. Eles tentam entrar no território paulista e são contidos, mas aí tem disputa pelos pontos de drogas”, afirmou Tarcísio.

“É por isso que os índices de homicídios no Vale do Paraíba são muito maiores do que no restante do estado todo. Há uma hegemonia de uma facção no estado todo [PCC] e há uma disputa no Vale do Paraíba. Por isso que eu falo, o tráfico de drogas é uma coisa muito séria, muito grave, e precisa ser combatido”, completou o governador.

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