A segurança pública na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) continua sendo um dos principais desafios para o governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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Mesmo com períodos de redução no número de assassinatos, a região permanece na liderança estadual da taxa de homicídios por 100 mil habitantes, posição que ocupa desde 2010.
O cenário é reforçado pelo levantamento mais recente de OVALE, elaborado a partir dos dados oficiais da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Nove das 15 cidades com as maiores taxas de homicídios do estado estão na RMVale, considerando as 100 maiores cidades paulistas.
O ranking considera os registros de outubro de 2025 a setembro de 2026. Nesse intervalo, a região contabilizou 281 mortes por homicídio, contra 277 nos 12 meses anteriores, um aumento de 1,5%.
A taxa regional chegou a 11,10 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes. O índice representa mais que o dobro da média estadual, de 5,36, e é 164% superior ao registrado na capital paulista, de 4,23.
Histórico de violência
A liderança da RMVale não é recente. Desde 2010, a região apresenta a maior taxa de homicídios entre as regiões administrativas de São Paulo. Ao longo desse período, o indicador passou por oscilações, com momentos de alta e queda.
Em 2019, por exemplo, a taxa chegou a 12,28 mortes por 100 mil habitantes. O índice voltou a subir nos anos seguintes e alcançou 14,59 em 2022. Em 2025, recuou para 10,52, o menor patamar da série histórica iniciada em 2001, mas permaneceu acima de todas as demais regiões paulistas.
A dimensão do problema também aparece na distribuição dos municípios no ranking estadual. Lorena, Caraguatatuba e Ubatuba ocupam as três primeiras posições, respectivamente, no levantamento mais recente. Cruzeiro, Pindamonhangaba, São Sebastião, Caçapava, Guaratinguetá e Taubaté completam a presença regional entre as 15 primeiras colocadas.
São José dos Campos e Jacareí também aparecem na lista das 100 maiores cidades analisadas, mas em posições mais distantes do topo.
Queda nos assassinatos
Durante o governo Tarcísio de Freitas, entre 2023 e 2026, o número de mortes violentas recuou na RMVale. No acumulado da gestão dele, as mortes chegaram a 1.137 (homicídios e latrocínios), de janeiro de 2023 a setembro de 2026.
Trata-se de uma redução de 12,6% na comparação com as 1.302 mortes do período anterior, na gestão João Doria (na época no PSDB) e depois Rodrigo Garcia – considerando o mesmo número de meses.
As mortes também caíram nos primeiros anos da gestão Tarcísio, mas voltaram a subir em 2026. Em 2023, na comparação com 2022, os óbitos reduziram de 378 para 330, uma queda de 12,7%.
Também houve redução nos dois anos seguintes: -6% em 2024 (310 mortes) ante 2023 (330 mortes) e -7,7% em 2025 (286) comparado a 2024 (310).
Em 2026 o número voltou a subir: 0,96% de crescimento, com 211 mortes entre janeiro e setembro contra 209 no mesmo período do ano passado.
Facções criminosas
OVALE também revelou a existência de uma disputa territorial entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), especialmente em municípios do Vale da Fé e do Litoral Norte, áreas próximas à divisa com o Rio de Janeiro, que concentram 53% dos homicídios na RMVale em 2026.
Em abril de 2024, Tarcísio afirmou que o Vale é afetado pela tentativa de avanço de organizações criminosas ligadas ao Rio de Janeiro, como Comando Vermelho, Terceiro Comando e o Amigo dos Amigos, sobre o território paulista e pela reação do PCC, facção apontada como hegemônica em São Paulo.
“Isso é um reflexo da proximidade com o Rio de Janeiro. Isso é o crime organizado tentando, com as facções criminosas do Rio de Janeiro, ingressar no território de São Paulo e a contenção da facção hegemônica de São Paulo”, afirmou o governador.
“Eles tentam entrar no território paulista e são contidos, mas aí tem disputa pelos pontos de drogas”, disse.
Na mesma entrevista, o governador relacionou diretamente a disputa entre as facções aos índices de homicídio registrados no Vale.
“É por isso que os índices de homicídios no Vale do Paraíba são muito maiores do que no restante do estado todo. Há uma hegemonia de uma facção no estado todo [PCC] e há uma disputa no Vale do Paraíba”, afirmou.
Desafio para o Estado
Os números colocam a segurança pública entre as questões centrais para a gestão estadual na região. O enfrentamento dos homicídios exige atenção permanente às cidades que concentram as maiores taxas, além de estratégias que considerem as diferenças entre os municípios.
A RMVale reúne cidades de diferentes portes, características econômicas e realidades sociais. Por isso, os números absolutos de assassinatos não contam toda a história: municípios menores podem apresentar taxas proporcionalmente mais altas mesmo com menos ocorrências.
Para o governo Tarcísio, o desafio é transformar eventuais reduções nos indicadores em uma tendência consistente, capaz de retirar a região da liderança histórica da violência letal em São Paulo.
Enquanto isso não acontece, a segurança pública continua sendo uma das principais cobranças da população do Vale do Paraíba e do Litoral Norte e um dos pontos mais sensíveis da relação entre a região e o Palácio dos Bandeirantes.
OVALE e Band Vale realizam fórum de segurança
OVALE e Grupo Band Vale lançam o projeto especial “O Futuro das Cidades”, iniciativa de jornalismo e debate público que tem como foco os desafios e as soluções para os municípios da região.
A primeira etapa é o 1º Fórum OVALE | Band Vale de Segurança, na segunda quinzena de novembro, no Auditório Hyde Park, em São José dos Campos, com transmissão ao vivo pelas plataformas digitais. O fórum conta com apoio institucional da Prefeitura e da Câmara de São José dos Campos.