A família de Bruno Leandro Arantes Dias, de 35 anos, fará neste domingo (27), em Jacareí, uma cerimônia em memória do jacareiense que, segundo os familiares, morreu durante um combate na Ucrânia. Não haverá corpo no local da despedida.
A homenagem será realizada das 8h às 10h, na Sala Valência do Campo das Oliveiras, na Avenida Siqueira Campos, 263, no Centro de Jacareí. Bruno morreu no dia 22 de setembro, conforme comunicado divulgado pela família.
A ausência do corpo foi explicada pela irmã de Bruno. Segundo ela, o local onde ele e outros combatentes morreram ainda permanece em uma área ativa de batalha, o que impede uma operação de retirada neste momento.
“Não tem corpo. Conforme o comandante falou para a gente e esse parceiro dele que estava lá na guerra e sobreviveu falou, onde o corpo se encontra é numa área de guerra, numa área de batalha.”
De acordo com a irmã, os militares informaram à família que uma tentativa de resgate colocaria outros soldados em risco.
“Não faz sentido colocar mais cinco, seis soldados para ir lá buscar um corpo e colocar a vida de mais cinco, seis soldados em risco. Lá onde o corpo do Bruno e dos meninos se encontram ainda é um campo de batalha.”
Ela explicou ainda que não existe previsão para a retirada dos corpos.
“Eles só vão lá buscar o corpo quando realmente a área onde eles morreram não tiver mais gente inimiga. Não tem previsão, não tem data para eles tirarem o corpo de lá.”
Família poderá receber apenas as cinzas
Ainda segundo o relato da irmã, as condições para quem atuava na missão já previam a possibilidade de não haver traslado do corpo ao Brasil. Caso seja possível recuperá-lo futuramente, a previsão seria de cremação e envio das cinzas para a família.
“Já estava escrito no contrato que, se o corpo fosse resgatado, eles mandavam as cinzas. Então, de qualquer forma, não tem corpo.”
Por enquanto, a família possui uma declaração relacionada ao desaparecimento e à morte de Bruno. Segundo a irmã, a certidão de óbito definitiva depende da recuperação e identificação do corpo.
“Eles dão para a gente uma declaração de desaparecimento. Na declaração eles falam que a pessoa faleceu, mas é uma declaração de desaparecimento porque eles não têm o corpo.”
Documento foi enviado com nome errado
A família também aguarda a correção de documentos para avançar nos procedimentos junto ao Itamaraty.
Segundo a irmã, uma documentação recebida apresentou erro no nome de Bruno. “Mandaram a documentação do Bruno, mas mandaram o nome do Bruno errado. O nome dele é Bruno Leandro. Por isso a gente não entrou em contato com o Itamaraty ainda, porque a documentação está errada.”
Família passou dias entre esperança e luto
Antes da confirmação da morte, os parentes viveram dias de incerteza. Inicialmente, receberam a informação de que Bruno estava desaparecido e teria morrido durante o combate, mas a ausência de imagens e do corpo fez com que a família mantivesse esperança de que ele pudesse estar vivo.
A tia, Alexsandra Arantes Piva, chegou a publicar um apelo nas redes sociais pedindo informações mais concretas.
Após novos contatos com pessoas ligadas ao grupo em que Bruno atuava, a família informou ter recebido a confirmação da morte.
Segundo familiares, a decisão de viajar para a Ucrânia havia partido do próprio Bruno e não contava com o apoio da família.
Agora, sem previsão para recuperação do corpo, os parentes decidiram realizar uma cerimônia de homenagem e memória, como forma de reunir familiares e amigos para a despedida.
No comunicado divulgado sobre a cerimônia, a família resume o momento: “Embora não possamos nos despedir como gostaríamos, estaremos juntos para honrar sua memória e guardar para sempre tudo o que ele significou para nós.”