CRIME ORGANIZADO

Documentos apreendidos em SJC serão analisados na Carbono Oculto

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Receita Federal

Os documentos apreendidos nesta quinta-feira (24) em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, serão analisados pelas autoridades no âmbito da terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Crédito Oculto.

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A ação, deflagrada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) e pela Receita Federal, cumpre mandados de busca em diversas cidades do país e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.

Quem são os alvos

Entre os principais investigados está o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o "Mineiro", dono da Entre Investimentos e ligado ao caso do Banco Master. Também são alvos Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá.

Freixo fechou um acordo de colaboração com a PGR (Procuradoria-Geral da República) no início do mês, no âmbito das apurações sobre o Banco Master. Com a análise dos documentos e dados apreendidos, as autoridades esperam esclarecer a movimentação financeira e as relações entre os investigados.

A ligação com o filme "Dark Horse"

A investigação da Polícia Federal aponta que a empresa de Freixo teria sido usada para repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinados à produção de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Buscas em São José dos Campos

Em São José, uma distribuidora de combustíveis do bairro Torrão de Ouro, na região sul da cidade, é um dos alvos. A ação conta com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Vale do Paraíba, e o material recolhido no município passará por perícia e análise técnica das autoridades.

Ao todo, são cumpridos mandados de busca e apreensão em 29 endereços, ligados a 13 pessoas físicas e 24 empresas, em São Paulo e em outros seis estados. Além do MPSP e da Receita Federal, participam da operação a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar, a Polícia Civil e equipes dos Gaecos do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.

O que investiga a nova fase

Segundo o Ministério Público, a organização teria usado estruturas financeiras e societárias em duas etapas: primeiro para ocultar os verdadeiros donos de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo e, depois, para viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis Terrana.

Entre os pontos apurados estão:

  • Uma operação de cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina, envolvendo a transferência de cotas de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios);
  • O repasse de R$ 100 milhões que teriam passado por contas de fintechs em poucos minutos até chegar à usina, e depois a um fundo criado especificamente para a operação;
  • Uso de fundos imobiliários para manter imóveis sob controle econômico do grupo sem que aparecessem no patrimônio pessoal dos investigados;
    Movimentação de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por uma empresa do setor financeiro apontada como peça-chave na aquisição simulada da usina.

Para o MPSP, o conjunto de operações teria criado um fluxo financeiro circular, dificultando a identificação da origem dos recursos e dos verdadeiros beneficiários. A análise dos documentos apreendidos deve ajudar a mapear essa estrutura com mais precisão.

As buscas desta quinta-feira fazem parte do aprofundamento das investigações e não representam, por si só, condenação ou comprovação de crime.

O que diz o Banco Genial

Procurado pela reportagem, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá não integra sua diretoria ou quadro societário desde maio de 2026, quando foi destituído após ser afastado preventivamente dos processos decisórios.

A instituição disse ter entregue voluntariamente ao Gaeco os documentos sobre as operações do Fundo Radford e das empresas Berna e Branson Holdings, além de ter notificado o Coaf. O banco afirmou ainda ter agido dentro das normas com base nas informações disponíveis à época, ter adotado medidas de governança como auditoria interna e revisão de crédito, e ter renunciado à gestão do fundo, mantendo colaboração com as investigações.

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