O empresário Polion Gomes Reinaux Gomes, de 45 anos, foi preso nesta segunda-feira (21) em Caçapava. Ele foi condenado pela Justiça do Paraná por desviar R$ 2,5 milhões que deveriam custear o tratamento de câncer de Yasmin, uma menina diagnosticada com neuroblastoma.
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A prisão desta segunda-feira, no entanto, não está ligada a esse caso.
A Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão temporária de 30 dias expedido pela Justiça de Goiás durante diligências de uma investigação diferente, que apura a compra de R$ 11.175,30 feita com dados cadastrais de uma empresa farmacêutica sem autorização.
No imóvel vistoriado, na Vila Resende, os policiais encontraram mercadorias ligadas a esse novo esquema.
Como a nova investigação chegou ao empresário
O caso começou a partir de apurações do 63º Distrito Policial de Vila Jacuí, na capital paulista. Segundo o boletim de ocorrência, uma pessoa usou sem autorização os dados cadastrais da A.W. Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda. para negociar mercadorias com a Alfa Net Distribuidora Ltda.
A operação resultou na Nota Fiscal nº 003380, no valor de R$ 11.175,30. A empresa cujos dados foram usados não reconheceu a negociação. As mercadorias saíram do fornecedor e foram transportadas até um imóvel na Avenida Cidade de São Paulo, na Vila Resende, em Caçapava.
Como a polícia confirmou o endereço certo
Havia dúvida inicial sobre qual imóvel havia recebido a carga, já que duas propriedades vizinhas tinham características parecidas. A equipe policial fez uma chamada de vídeo com o motorista responsável pelo transporte, que reconheceu o endereço correto ao visualizar os imóveis.
Vizinhos relataram que o local não tinha morador fixo, apesar de uma movimentação considerada incomum para um imóvel só residencial. Ali, os investigadores encontraram um pallet de madeira, já citado pelo motorista, e caixas de papelão desmontadas, uma delas com produto e marca compatíveis com os itens do estelionato.
O que Polion disse à polícia
Interrogado com advogado presente, Polion admitiu ter recebido de terceiro os documentos da A.W. Comércio de Produtos Farmacêuticos e ter usado os dados da empresa para fazer compras, embora afirme não conhecer o dono nem ter vínculo com a pessoa jurídica.
Ele confirmou a compra de cerca de R$ 11 mil junto à Alfa Net e disse ter usado os mesmos dados para adquirir lenços umedecidos, papel para maca e coletores para perfurocortantes.
Como funcionaria o esquema, segundo o relato
De acordo com a versão do empresário, um terceiro teria fornecido a documentação da empresa e orientado as compras sem pagamento aos fornecedores. Em troca, Polion repassaria 50% do valor das notas fiscais a essa pessoa, que ele chegou a identificar à polícia.
Essa declaração faz parte da investigação, mas não comprova por si só a participação do terceiro citado -- a Polícia Civil ainda vai apurar a responsabilidade de outras pessoas. Ao final do interrogatório, Polion assumiu a responsabilidade pela aquisição das mercadorias.
Por que ele foi preso nesta segunda-feira
Não houve flagrante pelo estelionato de R$ 11.175,30. Durante as diligências, a Polícia Civil constatou um mandado de prisão temporária válido por 30 dias contra o empresário, expedido pela 2ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia.
O documento é compatível com diligências anteriores já feitas pela Polícia Civil de Caçapava em parceria com investigadores de Goiás. Constatada a ordem judicial, a autoridade determinou a captura.
Quem é o empresário preso em Caçapava
Polion já havia sido preso na cidade em uma investigação de repercussão nacional. Em julho de 2024, ele foi preso em Caçapava durante a apuração do desvio de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de câncer de Yasmin, menina diagnosticada com neuroblastoma.
Na ocasião, a Polícia Civil de Caçapava cumpriu ordem judicial em apoio à Polícia Civil do Paraná, e a operação também buscou celulares, documentos, notebooks e comprovantes de transferências financeiras.
Relembre o caso da menina com câncer
Yasmin precisava de um medicamento de alto custo, e a Justiça determinou que o Estado do Paraná custeasse o tratamento (cerca de R$ 2,5 milhões foram destinados à compra do produto). A investigação apurou que as empresas envolvidas receberam os recursos, mas o medicamento não foi entregue conforme previsto.
Em janeiro de 2026, cerca de um ano e meio depois da prisão de Polion em Caçapava, a Justiça do Paraná o condenou por estelionato, com pena de 4 anos, 9 meses e 5 dias de prisão, mais 338 dias-multa. Outro empresário também foi condenado no mesmo processo. O caso teve medidas e recursos posteriores da defesa, o que significa que a discussão judicial ainda não está encerrada.