FEMINICÍDIO

Pai vira réu após matar filha de 12 anos

Por Da Redação | Várzea Grande (MT)
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Claudinei da Silva, de 42 anos
Claudinei da Silva, de 42 anos

A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso contra Claudinei da Silva, de 42 anos, acusado de matar a própria filha, de 12 anos, em junho deste ano. Segundo laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica, a adolescente morreu por asfixia mecânica provocada pelas mãos do pai.

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O crime aconteceu no dia 8 de junho, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Com o recebimento da denúncia, Claudinei passou à condição de réu por feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.

O processo tramita em sigilo na 1ª Vara Criminal de Várzea Grande.

Mãe encontrou filha desacordada

Segundo as informações do processo, a adolescente havia passado a noite na casa do pai. Por volta das 18h, a mãe, Maiara Santos, foi até o imóvel para buscar a filha.

A mulher teria insistido para que Claudinei abrisse o portão. O homem saiu da residência e afirmou que a menina não estava no local, dizendo que ela estaria na casa de uma vizinha.

A mãe desconfiou da situação diante do comportamento do ex-companheiro. Pouco depois, Claudinei deixou o local correndo.

Ao entrar na residência, Maiara encontrou a filha caída em um dos quartos, desacordada e com marcas de agressão pelo corpo. Com ajuda de uma amiga, a adolescente foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, em Cuiabá, mas não resistiu.

Pai se apresentou à polícia

Depois de deixar a residência, Claudinei se apresentou espontaneamente à polícia horas mais tarde. Ele foi levado à DHPP (Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa) e autuado em flagrante por feminicídio.

Inicialmente, o homem afirmou aos policiais que teria descoberto que a filha conversava com um garoto por meio de uma rede social. Segundo a versão apresentada por ele, as agressões teriam começado como uma forma de “punição”.

A versão, porém, foi posteriormente descartada pela Polícia Civil durante o avanço das investigações.

A advogada Dayane Rodrigues, que representa a mãe da vítima, afirmou que a adolescente não tinha celular próprio e utilizava os aparelhos dos pais para conversar com eles.

Histórico de violência

Ainda segundo a defesa de Maiara, Claudinei já havia sido violento contra a ex-companheira. O casal se separou em 2018, após a mulher obter uma medida protetiva depois de sobreviver a uma tentativa de feminicídio.

A advogada também afirmou que mãe e filha teriam sido mantidas em cárcere privado pelo homem em outra ocasião.

Posteriormente, Claudinei teria procurado familiares de Maiara para dizer que queria voltar a conviver com a filha. Após conversar com a família e diante dos pedidos da própria adolescente para se aproximar do pai, a mãe permitiu a retomada dos encontros.

Segundo a advogada, aquela teria sido a primeira vez que a menina passou a noite na casa do pai.

Denúncias de violência contra a mulher

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos canais oficiais. Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar o 190, da Polícia Militar, ou o 197, da Polícia Civil.

Também estão disponíveis o Disque-Denúncia 181 e o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher.

Em Mato Grosso, registros de ocorrência também podem ser feitos pela Delegacia Digital da Polícia Civil.

O processo contra Claudinei tramita sob sigilo e seguirá os procedimentos da Justiça. O recebimento da denúncia significa que ele se tornou réu, mas a responsabilidade criminal ainda será definida ao longo do processo.

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