A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso contra Claudinei da Silva, de 42 anos, acusado de matar a própria filha, de 12 anos, em junho deste ano. Segundo laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica, a adolescente morreu por asfixia mecânica provocada pelas mãos do pai.
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O crime aconteceu no dia 8 de junho, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Com o recebimento da denúncia, Claudinei passou à condição de réu por feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.
O processo tramita em sigilo na 1ª Vara Criminal de Várzea Grande.
Mãe encontrou filha desacordada
Segundo as informações do processo, a adolescente havia passado a noite na casa do pai. Por volta das 18h, a mãe, Maiara Santos, foi até o imóvel para buscar a filha.
A mulher teria insistido para que Claudinei abrisse o portão. O homem saiu da residência e afirmou que a menina não estava no local, dizendo que ela estaria na casa de uma vizinha.
A mãe desconfiou da situação diante do comportamento do ex-companheiro. Pouco depois, Claudinei deixou o local correndo.
Ao entrar na residência, Maiara encontrou a filha caída em um dos quartos, desacordada e com marcas de agressão pelo corpo. Com ajuda de uma amiga, a adolescente foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, em Cuiabá, mas não resistiu.
Pai se apresentou à polícia
Depois de deixar a residência, Claudinei se apresentou espontaneamente à polícia horas mais tarde. Ele foi levado à DHPP (Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa) e autuado em flagrante por feminicídio.
Inicialmente, o homem afirmou aos policiais que teria descoberto que a filha conversava com um garoto por meio de uma rede social. Segundo a versão apresentada por ele, as agressões teriam começado como uma forma de “punição”.
A versão, porém, foi posteriormente descartada pela Polícia Civil durante o avanço das investigações.
A advogada Dayane Rodrigues, que representa a mãe da vítima, afirmou que a adolescente não tinha celular próprio e utilizava os aparelhos dos pais para conversar com eles.
Histórico de violência
Ainda segundo a defesa de Maiara, Claudinei já havia sido violento contra a ex-companheira. O casal se separou em 2018, após a mulher obter uma medida protetiva depois de sobreviver a uma tentativa de feminicídio.
A advogada também afirmou que mãe e filha teriam sido mantidas em cárcere privado pelo homem em outra ocasião.
Posteriormente, Claudinei teria procurado familiares de Maiara para dizer que queria voltar a conviver com a filha. Após conversar com a família e diante dos pedidos da própria adolescente para se aproximar do pai, a mãe permitiu a retomada dos encontros.
Segundo a advogada, aquela teria sido a primeira vez que a menina passou a noite na casa do pai.
Denúncias de violência contra a mulher
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos canais oficiais. Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar o 190, da Polícia Militar, ou o 197, da Polícia Civil.
Também estão disponíveis o Disque-Denúncia 181 e o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher.
Em Mato Grosso, registros de ocorrência também podem ser feitos pela Delegacia Digital da Polícia Civil.
O processo contra Claudinei tramita sob sigilo e seguirá os procedimentos da Justiça. O recebimento da denúncia significa que ele se tornou réu, mas a responsabilidade criminal ainda será definida ao longo do processo.