VEJA O VÍDEO

Gilmar e Mendonça discutem no STF: 'Não aponte o dedo para mim'

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Rosinei Coutinho/STF
Sessão plenária extraordinária do STF
Sessão plenária extraordinária do STF

O julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre os relatórios relacionados ao Caso Master começou nesta terça-feira (15) em meio a forte tensão entre os ministros da Corte. Durante a sessão, transmitida ao vivo, Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um bate-boca e trocaram acusações diante dos demais integrantes do tribunal.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A discussão ocorreu durante as deliberações sobre os procedimentos que devem ser adotados a partir de documentos relacionados ao caso. O episódio expôs uma divergência interna no STF em torno da condução das apurações.

Gilmar acusou Mendonça de envolver o STF em campanha eleitoral. Segundo ele, "até as pedras sabem" que há um inequívoco viés político eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa petição, apontando que a proximidade da divulgação do relatório com o 7 de setembro é oportuno.

Mendonça rebateu, chamando Gilmar de "leviano" e pediu para que ele não levantasse o dedo. "Vossa Excelência não tem a palavra. E vai escutar com tranquilidade. Evidente condução político eleitoral. Até 'pixulecos'", disse Gilmar

"Vossa excelência está sendo leviano, ministro Gilmar. Leviano. Leviano. Leviano", afirmou Mendonça.

Gilmar, que conduzia sua manifestação, tentou prosseguir enquanto Mendonça insistia em responder. O clima ficou mais tenso quando o ministro pediu que o colega aguardasse o momento adequado para falar.

Na sequência, Gilmar fez referência ao que classificou como uma "evidente condução político-eleitoral" e mencionou a escolha do dia 7 de setembro. A declaração provocou nova reação de Mendonça.

"Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso", afirmou Gilmar.

Mendonça respondeu de forma contundente e pediu respeito à instituição.

"Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal", disse.

O confronto prosseguiu por alguns instantes, até que Gilmar pediu que Mendonça concluísse sua intervenção. "Quem não se dá respeito não merece respeito", respondeu o ministro.

O presidente da sessão precisou intervir para tentar organizar os trabalhos e pediu que Gilmar concluísse sua manifestação.

Caso Master

O julgamento desta terça-feira envolve relatórios relacionados ao Caso Master, investigação que ganhou repercussão nacional e passou a provocar discussões sobre a atuação de integrantes do próprio STF.

Entre os elementos analisados estão informações da Polícia Federal que apontam uma suposta relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A análise dos documentos ocorre em meio à discussão sobre os procedimentos que devem ser adotados pela Corte diante das informações reunidas no caso.

O episódio desta terça-feira aumenta a temperatura de uma disputa interna no Supremo sobre a forma de condução das apurações e sobre os limites da atuação dos próprios ministros diante de eventuais citações envolvendo integrantes do tribunal.

Comentários

Comentários