O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, passaram pela Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba, no contexto das investigações que transformaram o caso Banco Master em um dos maiores escândalos financeiros e políticos em apuração no país. Vorcaro ficou apenas um dia na unidade antes de ser levado para Brasília, enquanto Zettel continua preso em Potim.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso em São Paulo em 4 de março de 2026, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF (Polícia Federal). No dia seguinte, 5 de março, ele foi transferido do Centro de Detenção de Guarulhos (SP) para a Penitenciária 2 de Potim, na região.
O deslocamento foi realizado em uma caminhonete da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) adaptada para o transporte de presos. Na chegada, Vorcaro passou a usar o uniforme da administração penitenciária, composto por calça caqui e camiseta branca.
Vorcaro ficou um dia em Potim
A passagem do ex-banqueiro pelo Vale do Paraíba, no entanto, foi curta. Vorcaro permaneceu inicialmente em uma cela de isolamento, procedimento adotado pela administração penitenciária para novos detentos.
A previsão inicial era que ele permanecesse por cerca de dez dias nessa condição antes de ser encaminhado ao pavilhão do regime fechado. O plano, porém, mudou rapidamente.
Em 6 de março, um dia após chegar a Potim, Vorcaro deixou a região e embarcou em um voo no Aeroporto de São José dos Campos com destino a Brasília (DF).
A transferência para uma unidade federal foi determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, após pedido da Polícia Federal. Os investigadores apontaram riscos relacionados à segurança pública e à capacidade de articulação do banqueiro.
Cunhado continua preso
Fabiano Zettel continua preso na Penitenciária 2 de Potim. Empresário e pastor, Zettel foi detido pela Polícia Federal no mesmo contexto das investigações sobre o Banco Master e transferido para a unidade prisional em março. Ele cumpre prisão preventiva.
Informações divulgadas posteriormente, em agosto e setembro, indicam que Zettel permanece na penitenciária. A defesa chegou a afirmar publicamente que ele estaria preso por uma espécie de “osmose familiar”, em referência ao parentesco com Vorcaro.
A Penitenciária 2 de Potim foi inaugurada em 2002 e é destinada a presos do regime fechado. A unidade tem capacidade para 844 detentos.
O presídio passou a receber presos de casos de grande repercussão depois de mudanças no perfil da Penitenciária 2 de Tremembé, tradicionalmente conhecida pela presença de detentos envolvidos em crimes que ganharam notoriedade nacional.
Entre os presos que passaram por Potim estão nomes de casos de grande repercussão, como o médico Roger Abdelmassih e Fernando Sastre, envolvido no acidente que matou um motorista em São Paulo.
Vale nas investigações do Master
A presença de Vorcaro em Potim ganhou ainda mais peso regional diante de outro episódio relacionado às investigações do Banco Master: mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro apontam para a organização de uma recepção considerada “ultra VIP” para o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Campos do Jordão.
Segundo informações presentes em documento sigiloso encaminhado ao ministro André Mendonça, as mensagens indicam que o encontro teria ocorrido em 30 de dezembro de 2023, no Hotel Six Senses Botanique, na Serra da Mantiqueira.
Quatro dias antes, Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, teria compartilhado com Vorcaro um número de telefone identificado como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
Nas conversas analisadas pela PF, o principal convidado aparece identificado como “Alex”. Segundo os investigadores, os elementos encontrados indicam que a referência seria ao ministro Alexandre de Moraes.
Recepção em Campos do Jordão
De acordo com o relatório, Fábio Faria teria avisado Vorcaro sobre a visita. Em uma das mensagens, informou que “Alex quer ir almoçar lá no dia 30” e, posteriormente, confirmou o compromisso.
A programação envolvia nove convidados e quatro integrantes da equipe de segurança. Faria também teria solicitado informações sobre o endereço para repassá-las aos seguranças que acompanhariam o grupo.
Vorcaro, por sua vez, orientou uma funcionária a preparar uma recepção especial. Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, pediu uma “experiência completa” para convidados classificados como “ultra VIP”.
A estrutura planejada incluía, segundo a PF, a contratação de um cantor e a disponibilidade de cavalos para os visitantes.
Durante o encontro, funcionários teriam mantido Vorcaro informado sobre a chegada e a movimentação do grupo. Em determinado momento, o empresário pediu que a circulação pela propriedade ocorresse de maneira discreta e natural.
O episódio em Campos do Jordão passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores no caso Banco Master, que envolve suspeitas sobre operações financeiras e conexões com figuras de diferentes áreas do poder.
A investigação ainda está em andamento, e as suspeitas são objeto de apuração pelas autoridades competentes.