A Polícia Civil apreendeu um adolescente de 17 anos que pode estar envolvido em uma possível guerra entre grupos rivais de adolescentes após a morte de Kauã Vinícius Silva Pereira, de 16 anos, assassinado a tiros no bairro Galo Branco, na região leste de São José dos Campos.
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Na casa do jovem apreendido, investigadores encontraram quase 1,4 quilo de drogas, além de celulares, dinheiro e anotações relacionadas ao tráfico. Um homem de 19 anos também foi preso.
A apreensão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca expedido pela Vara da Infância e Juventude de São José dos Campos. O adolescente estava no imóvel acompanhado do homem de 19 anos.
Durante a vistoria, os policiais localizaram 858,8 gramas de cocaína, 477,6 gramas de crack e 73,6 gramas de maconha. Também foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro em espécie e anotações que, segundo a investigação, estariam relacionadas à comercialização de drogas.
Polícia investiga possível vingança
Segundo a Polícia Civil, a apreensão está relacionada a informações obtidas durante a investigação da morte de Kauã. A suspeita é de que o adolescente tivesse prometido vingar o assassinato do amigo, o que poderia desencadear uma disputa entre grupos rivais.
De acordo com os investigadores, a possível rivalidade teria começado após uma briga entre adolescentes em ambiente escolar envolvendo uma garota. Depois da morte de Kauã, a polícia recebeu informações de que o adolescente de 17 anos estaria planejando uma vingança.
Com base nesses elementos, a Delegacia de Homicídios pediu à Justiça o mandado de busca e apreensão cumprido nesta segunda-feira.
Nenhuma arma foi encontrada no imóvel. A polícia, no entanto, destacou que o adolescente já havia sido apreendido em 18 de agosto, por ato infracional análogo ao crime de porte de arma. Ele também possui outras duas apreensões anteriores por ato infracional semelhante ao tráfico de drogas.
Após a nova apreensão, o adolescente deve ser encaminhado à Fundação Casa, onde permanecerá à disposição da Justiça. O homem de 19 anos que estava na residência foi preso e levado para a Cadeia Pública de Sapopemba, na capital paulista.
Assassinato de Kauã
Kauã foi morto por volta das 4h45 de 29 de agosto, na rua Manoel Meneses Leal, em frente ao Conjunto Residencial Galo Branco.
O adolescente foi encontrado caído na rua com ferimentos provocados por disparos de arma de fogo na região da cabeça e do pescoço. A Polícia Militar foi acionada pelo Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) depois que moradores relataram ter ouvido tiros.
Quando as equipes chegaram, profissionais do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e agentes da Guarda Civil Municipal já estavam no local. A equipe médica constatou a morte do adolescente.
Segundo os primeiros relatos reunidos pela polícia, um Volkswagen Gol prata passou pelo local pouco antes dos disparos. Testemunhas afirmaram que ocupantes do veículo atiraram contra Kauã e fugiram.
O local foi isolado para o trabalho da perícia e o caso foi inicialmente registrado como homicídio consumado de autoria desconhecida.
Suspeito confessou os disparos
A investigação levou à prisão temporária de Luan Azevedo Lima, de 18 anos, no dia 11 de setembro. Segundo a Polícia Civil, ele se apresentou e confessou ter efetuado os disparos.
Em depoimento, Luan afirmou que teria cometido o crime porque era ameaçado por Kauã. A versão apresentada pelo investigado ainda será analisada pelos investigadores e pela Justiça.
A prisão temporária foi determinada diante dos indícios reunidos pela investigação sobre a participação de Luan no homicídio. A medida também foi considerada necessária para o avanço das diligências.
A Polícia Civil apura ainda a possível participação de uma segunda pessoa no assassinato e trabalha para localizar a arma utilizada no crime.
Luan também já havia sido apreendido quando era adolescente em uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo contra uma companhia da Polícia Militar no Jardim Diamante, em São José dos Campos. Na ocasião, ele respondeu ao caso por meio de medida socioeducativa. Ele completou 18 anos no início de 2026.
A investigação da Delegacia de Homicídios continua para esclarecer a dinâmica completa do assassinato de Kauã, identificar todos os envolvidos e verificar se a possível disputa entre grupos de adolescentes pode resultar em novos confrontos na região.