Uma ordem judicial de desocupação ameaça interromper o funcionamento da Comunidade Terapêutica Há Uma Esperança, em Caçapava. A saída do imóvel está prevista para esta quinta-feira (10), e a principal preocupação da instituição é o destino de cerca de 50 pessoas que permanecem acolhidas no local.
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Com 25 anos de atuação na cidade, a comunidade afirma já ter atendido mais de 16 mil pessoas. A instituição recebe principalmente pessoas em situação de rua e homens que fazem tratamento contra a dependência química.
Diante da determinação judicial, representantes da entidade procuraram a Prefeitura de Caçapava para solicitar mais tempo para organizar a transferência dos acolhidos e encontrar outro imóvel que possa receber a estrutura.
“Por conta de uma discussão judicial, um processo judicial, a comunidade está sofrendo uma ordem de despejo”, afirmou a advogada Valéria Dias.
Segundo ela, a situação preocupa porque parte dos acolhidos não teria para onde ir caso a instituição deixe o imóvel imediatamente.
“As pessoas atendidas pela instituição são pessoas que foram resgatadas das ruas, e elas não têm família, não têm nenhum lugar para ir. Então, a gente está preocupado”, disse.
Vereador tenta ampliar prazo
O vereador Professor Maicon Goiembiesqui (Republicanos) também passou a atuar no caso. O parlamentar encaminhou ofícios à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Judiciário pedindo mais prazo para que a comunidade possa organizar a transferência dos acolhidos.
Segundo o vereador, a resposta da juíza responsável pelo processo indicou que não seria possível conceder uma nova extensão do prazo para o cumprimento da ordem de desocupação.
Maicon também esteve pessoalmente na instituição, onde conheceu a estrutura e conversou com responsáveis e pessoas acolhidas.
Disputa envolve terreno
A ordem de desocupação está relacionada a uma disputa envolvendo o terreno onde a comunidade mantém suas atividades.
De acordo com a versão apresentada pela própria instituição, havia uma negociação para a compra do imóvel. A entidade afirma que confiou as tratativas a um escritório de advocacia e realizou repasses que, somados, chegaram a R$ 820 mil.
A comunidade diz que acreditava que o dinheiro seria utilizado na negociação com a família proprietária da área. Posteriormente, segundo a instituição, teria descoberto que o negócio não havia sido conduzido da forma esperada e que os valores não teriam chegado aos proprietários nas condições imaginadas.
A entidade afirma ter registrado boletim de ocorrência e adotado medidas judiciais para esclarecer o caso e tentar recuperar os valores.
As informações sobre os R$ 820 mil correspondem à versão apresentada pela comunidade. Até o momento, entre os elementos fornecidos à reportagem, não há decisão judicial definitiva que permita atribuir responsabilidade criminal a pessoas pelo destino do dinheiro.
Carta cobra atuação da Prefeitura
Em uma carta aberta divulgada nas redes sociais, a Comunidade Terapêutica Há Uma Esperança criticou a atuação do prefeito de Caçapava, Yan Lopes (Pode).
Segundo a entidade, o prefeito recebeu dois convites para conhecer a instituição e conversar sobre a situação. A comunidade afirma que chegou a preparar uma recepção para uma das visitas, mas o compromisso teria sido cancelado pouco antes do horário marcado.
Depois da repercussão do caso e da visita do vereador Maicon Goiembiesqui, uma reunião com representantes da administração municipal foi realizada. A comunidade afirma, porém, que o prefeito não permaneceu no encontro e que a conversa ocorreu com secretários municipais.
Na carta, a instituição afirma que não está pedindo recursos financeiros, mas tempo para organizar uma solução.
“A Comunidade não pediu privilégio. Não pediu dinheiro. Pediu tempo”, diz um trecho do documento.
Em outro ponto, a entidade questiona a atuação do poder público diante do risco de encerramento das atividades.
“Prefeito, onde está o poder público da Prefeitura de Caçapava quando uma obra que há anos serve a nossa cidade está prestes a desaparecer?”, questiona a carta.
A instituição também afirma estar preocupada com a continuidade dos tratamentos e com a possibilidade de os acolhidos ficarem sem uma alternativa imediata.
Prefeitura é questionada
Segundo a versão apresentada pela comunidade, representantes da administração municipal disseram durante uma reunião que a Prefeitura não teria condições de atender ao pedido porque a maioria das pessoas acolhidas não seria de Caçapava.
A instituição contesta a justificativa e afirma que o trabalho de acolhimento sempre esteve disponível para moradores da cidade e da região.
A comunidade também sustenta que não pediu repasse financeiro ao município. O pedido, segundo a entidade, era exclusivamente para obter mais prazo antes da desocupação do imóvel.
A instituição busca agora uma alternativa para transferir os acolhidos e manter os tratamentos sem interrupção.
O prefeito Yan Lopes foi procurado pela reportagem do Vale 360 News, por meio da assessoria de imprensa, para comentar o caso. Até a publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura.