INTERROGATÓRIO

Réu por matar esposa, coronel do Vale diz falar com ela em oração

Por Da Redação | São Paulo
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Coronel Geraldo Leite Rosa Neto
Coronel Geraldo Leite Rosa Neto

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a própria esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, afirmou durante interrogatório que conversa com ela durante suas orações desde que foi preso, em 18 de março. Ele é nascido em Taubaté e trabalhou muitos anos em São José dos Campos, onde inclusive foi detido em seu apartamento pessoal.

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O depoimento foi prestado no âmbito de um Inquérito da PM (Policial Militar) conduzido pela Corregedoria da PM. O caso envolve a morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada baleada, e a investigação que apura a possibilidade de feminicídio e de uma suposta simulação de suicídio.

Durante o interrogatório, Geraldo afirmou que se considera católico, mas relatou que passou a participar de cultos evangélicos realizados no Presídio Militar Romão Gomes, na zona leste de São Paulo. Ele também disse acreditar em espíritos.

“Eu converso com a minha esposa em oração”, afirmou o oficial.

Coronel mantém versão de que esposa tirou a própria vida

Ao explicar as supostas conversas com Gisele, Geraldo voltou a sustentar a versão de que a mulher teria tirado a própria vida.

“Eu falo pra ela: por que você fez isso, meu amor?”, declarou durante o interrogatório.

O tenente-coronel também afirmou que a morte da esposa teria levado “metade” de seu coração. Segundo ele, a outra metade havia sido levada pela morte da mãe, ocorrida em dezembro.

Na sequência, Geraldo atribuiu à própria Gisele a responsabilidade por supostamente ter tirado a infância da filha do casal.

“Você tirou a infância da sua filha, que é apaixonada por você, que é grudada em você”, disse.

Acusado diz sonhar diariamente com a esposa

Durante o depoimento, Geraldo também declarou que sonha diariamente com Gisele enquanto está preso. Ele se emocionou ao negar que tenha cometido o crime.

“Eu não matei a minha esposa, eu sonho todo dia com ela aqui”, afirmou.

O oficial classificou como “a cena mais traumática” de seus 35 anos de carreira policial o momento em que encontrou a esposa baleada.

As declarações integram a estratégia de defesa de Geraldo, que insiste na hipótese de suicídio. No mesmo interrogatório, ele afirmou estar com a “consciência tranquila com Deus” e negou ter atirado contra Gisele, agredido a mulher ou modificado o local onde ela foi encontrada.

Investigação aponta suspeita de feminicídio

A versão apresentada pelo tenente-coronel, porém, é contestada pelos elementos reunidos durante a investigação.

Antes do início do interrogatório, Geraldo foi informado de que a apuração apontava para a possibilidade de que ele tivesse alterado a cena do crime e simulado um suicídio para tentar ocultar um possível feminicídio.

O interrogatório ocorreu com a presença de advogado, e o oficial optou por responder às perguntas feitas durante o procedimento.

A investigação deverá analisar os depoimentos, as provas periciais e demais elementos reunidos para esclarecer as circunstâncias da morte de Gisele Alves Santana e determinar a responsabilidade pelo disparo que matou a soldado.

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