A Justiça condenou dois homens envolvidos na morte do motorista de aplicativo Carlos Eduardo de Faria César, de 23 anos, ocorrida em setembro de 2025, em São José dos Campos. Um terceiro réu no processo foi absolvido da acusação de latrocínio.
Jonathan Eduardo Sousa Goulart recebeu pena de 30 anos de prisão. Já Clayton Luiz Moreira Junior foi condenado a 22 anos e 11 meses de reclusão. Ambos responderam por latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte, e deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado.
De acordo com a decisão judicial, Carlos Eduardo foi abordado pelos acusados em São José dos Campos. Durante a ação, foram levados o veículo, o telefone celular e dinheiro do motorista. Em seguida, a vítima foi conduzida até uma região de mata em Jacareí, onde acabou assassinada a tiros.
O corpo do jovem foi localizado em 7 de setembro de 2025, no bairro Pagador Andrade, em Jacareí. A área onde ele foi encontrado ficava a aproximadamente 25 quilômetros do ponto em que o carro utilizado por Carlos havia sido localizado anteriormente.
Decisão judicial
Ao fundamentar a sentença, a juíza Fernanda Ambrogi, da 2ª Vara Criminal de Jacareí, considerou que o assassinato teve como objetivo evitar que os autores fossem posteriormente reconhecidos pela vítima e, dessa forma, garantir a impunidade pelo roubo.
Para a magistrada, as circunstâncias em que o crime foi cometido demonstraram maior gravidade da conduta e elevaram o grau de reprovação dos atos praticados.
Jonathan e Clayton já permaneciam presos desde o período das investigações. Em abril deste ano, a Justiça havia mantido a prisão preventiva dos dois, ao entender que não existiam fatos novos que justificassem a liberdade dos acusados.
A defesa de Clayton Luiz Moreira Junior informou, por meio de nota, que discorda da condenação e pretende recorrer. Segundo os advogados, alguns elementos apresentados como prova serão contestados nos recursos.
A defesa de Jonathan Eduardo Sousa Goulart também afirmou que recorre da sentença e sustenta que o condenado não teve participação no crime.
Terceiro réu é absolvido de latrocínio
Juan Pedro da Fonseca Marcondes, terceiro acusado no processo, foi absolvido da imputação de latrocínio. Apesar disso, ele acabou condenado pelo crime de receptação.
Conforme a Justiça, Juan recebeu e posteriormente repassou valores retirados da conta bancária de Carlos Eduardo após a morte do motorista.
Carlos desapareceu no início de setembro de 2025 enquanto trabalhava como motorista de aplicativo. Dias depois, o corpo foi encontrado em uma área de mata no bairro Pagador Andrade.
Durante as apurações, movimentações financeiras realizadas a partir da conta da vítima tiveram papel importante na identificação dos suspeitos. Segundo o delegado responsável pelo caso, uma transferência bancária de R$ 600 ajudou os investigadores a chegar a um dos envolvidos.
Clayton foi localizado e preso em uma adega no bairro Bosque dos Eucaliptos, em São José dos Campos. Segundo informações registradas no boletim de ocorrência da época, ele teria admitido participação no crime e relatado que Carlos foi morto após o roubo.
Jonathan, por sua vez, foi preso depois de se apresentar à polícia dois dias após o assassinato. Naquele momento, já havia contra ele um mandado de prisão expedido pela Justiça.