MEIO AMBIENTE

Bugios-ruivos serão reintroduzidos em florestas do Vale

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Allan Souza/Divulgação
Bugios-ruivos serão reintroduzidos em florestas do Vale
Bugios-ruivos serão reintroduzidos em florestas do Vale

A Prefeitura de São José dos Campos iniciou uma nova etapa do Programa Primatas, com ações voltadas à recuperação da população de bugios-ruivos (Alouatta guariba) e ao retorno dos animais às áreas de floresta.

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Em São Francisco Xavier, os primeiros quatro animais chegaram no dia 25 de agosto: um macho e três fêmeas. Eles foram encaminhados para um viveiro construído especialmente para o projeto, onde passarão por um período de adaptação antes da soltura na natureza.

Inicialmente, os primatas permanecem em recintos separados e são acompanhados por especialistas. A proposta é permitir que os animais interajam, estabeleçam vínculos e, gradualmente, formem um novo grupo.

A previsão é que a soltura dos bugios-ruivos ocorra em aproximadamente 45 dias, após a conclusão da fase de adaptação e das avaliações técnicas.

Entre os animais está o macho Encantado, que havia sido encontrado sozinho próximo a áreas com ocupações, estradas e fiação elétrica do distrito. Ele foi encaminhado para um centro técnico em São Paulo, onde recebeu cuidados, vacinação e passou por um período de reabilitação antes de retornar à região.

Espécie está ameaçada de extinção

O bugio-ruivo é classificado como em perigo de extinção pelo ICMBio e como vulnerável pela IUCN. Entre as principais ameaças à espécie estão o desmatamento, a fragmentação das florestas, os atropelamentos e acidentes envolvendo a rede elétrica.

A população de bugios também sofreu uma forte redução em decorrência da febre amarela silvestre, que afetou a região entre 2017 e 2018. Os primatas são altamente sensíveis à doença, transmitida por mosquitos silvestres.

Apesar disso, os macacos não transmitem febre amarela às pessoas. Eles são considerados importantes sentinelas da circulação do vírus na natureza.

A principal forma de prevenção para a população é a vacinação, especialmente entre pessoas que vivem ou frequentam áreas de mata, incluindo turistas.

Projeto é considerado pioneiro

A iniciativa é apontada pelos técnicos como um passo importante para a recuperação do bugio-ruivo na Serra da Mantiqueira. A ação integra o Projeto Primus, que tem como instituição requerente a Associação Regenera Yama.

A responsabilidade técnica é da Fundação Florestal, enquanto a Prefeitura de São José dos Campos participa do conselho gestor. O trabalho também reúne MIB, ICMBio, Semil/SP, Projeto Biota Coexiste/USP, Projeto Jacutinga/SAVE Brasil e parceiros da iniciativa privada.

Atualmente, existem outros três projetos de reintrodução e reforço populacional de bugios no Brasil, localizados no Parque Nacional da Tijuca, em Florianópolis e na Serra da Cantareira. As iniciativas seguem o programa de manejo populacional integrado do Alouatta guariba.

Programa Primatas

Criado em 2020, o Programa Primatas reúne a Prefeitura, órgãos públicos e entidades da sociedade em ações de pesquisa, conservação e educação ambiental.

As iniciativas estão alinhadas aos objetivos do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e Preguiças-de-Coleira (PAN PPMA/ICMBio).

Os trabalhos contam com recursos do FUMCAM (Fundo Municipal de Conservação Ambiental) e participação de especialistas nacionais e internacionais.

O projeto voltado ao bugio-ruivo tem cronograma previsto até junho de 2027. Nesse período, estão previstas ações de monitoramento, pesquisa, educação ambiental e sensibilização da população.

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