Rafael Pereira de Souza ganhou uma nova chance de vida em 2026. Aos 42 anos, depois de 14 anos de hemodiálise e oito anos na fila por um transplante renal, ele finalmente conseguiu realizar o procedimento que esperava há tanto tempo. O novo rim veio de uma pessoa que acompanhava de perto sua luta: a própria filha.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
A história começou em Sucupira do Norte, no Maranhão, onde Rafael nasceu. Auxiliar administrativo, ele descobriu uma insuficiência renal em estágio avançado aos 28 anos, quando morava em Imperatriz e trabalhava em uma loja. Antes do diagnóstico, apresentava sintomas como fortes dores de cabeça e inchaço nas pernas, mas não sabia que tinha pressão alta.
Diagnóstico mudou a vida de Rafael
Rafael conta que procurou atendimento médico depois que percebeu o inchaço nas pernas. Os exames mostraram que seus rins já estavam bastante comprometidos.
“Quando descobri, já estava praticamente o rim parado, porque eu sentia alguns problemas antes, dor de cabeça, essas coisas. Doía muito a cabeça, aí eu não media a pressão, não sabia que tinha pressão alta”, relatou.
Segundo ele, a equipe médica ainda tentou reverter o quadro durante cerca de 20 dias, mas não conseguiu recuperar a função dos rins.
“Passei ainda uns 20 dias com eles (médicos) tentando reverter, e não conseguiram”, recordou Rafael em entrevista concedida ao Diário do Nordeste, em junho de 2026, durante atendimento no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), em Fortaleza.
Filha decidiu doar rim ainda na adolescência
A espera pelo transplante se estendeu por anos. Enquanto Rafael enfrentava a rotina da hemodiálise, a filha mais velha, Eduarda de Souza Araújo, decidiu que queria ajudá-lo de uma maneira que poderia mudar definitivamente a vida do pai.
Eduarda tinha apenas 15 anos quando tomou a decisão de doar um rim. A possibilidade, porém, precisou esperar. Entre os obstáculos estava a própria resistência de Rafael, que tinha medo de que a doação pudesse prejudicar a saúde da filha.
Depois de completar 18 anos, Eduarda manteve a decisão. Aos 21, ela finalmente conseguiu concretizar o gesto que havia planejado desde a adolescência.
Transplante aconteceu em janeiro
Em 18 de janeiro de 2026, Rafael foi internado no Hospital Universitário Walter Cantídio, onde já fazia acompanhamento havia alguns anos.
Dois dias depois, em 20 de janeiro, aconteceu o transplante. Eduarda tornou-se doadora viva do pai e possibilitou que Rafael deixasse para trás uma rotina marcada por 14 anos de hemodiálise.
O procedimento representou uma nova etapa para o auxiliar administrativo, que passou oito anos aguardando por um órgão compatível na fila de transplantes.
A doação feita pela filha transformou não apenas a vida de Rafael, mas também marcou a trajetória de Eduarda, que manteve durante anos a decisão de ajudar o pai a ter uma nova oportunidade.