INVESTIGAÇÃO

De SJC ao STF: o jato citado por esposa de Moraes e Vorcaro

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Prime You
Jato executivo Embraer Legacy 650
Jato executivo Embraer Legacy 650

Uma aeronave Embraer Legacy 650, relacionada à empresa Prime You, entrou no radar das investigações que apuram negócios envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

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O jato também aparece em mensagens atribuídas à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo relatório da Polícia Federal ao qual OVALE teve acesso, conversas analisadas durante o inquérito indicam que Viviane teria utilizado a aeronave e mantido contato com funcionários da Prime You para tratar de voos.

Além disso, Vorcaro transferiu parte da propriedade do jato Legacy 650 e de um helicóptero para Viviane.

A transação era o pagamento por “serviços jurídicos” prestados pelo escritório da mulher do ministro, no valor de R$ 50 milhões.

Em uma das mensagens, um funcionário identificado como Marcos pergunta à advogada se ela e outras pessoas estavam “gostando da utilização das cotas” da aeronave. A resposta atribuída a Viviane foi: “Sim, estamos gostando muito”.

A conversa teria sido posteriormente encaminhada a Vorcaro, que era sócio da Prime You, empresa especializada no compartilhamento de aeronaves.

Jato aparece em minuta

De acordo com os documentos reunidos pela PF, o Legacy 650 foi incluído, junto com um helicóptero EC 155 B1, em uma minuta de Termo de Acordo e Dação em Pagamento.

A proposta envolvia o escritório Barci de Moraes Advogados e a Viking Participações, holding patrimonial ligada a Vorcaro. O documento previa serviços advocatícios avaliados em R$ 50 milhões, que seriam pagos por meio da transferência de cotas das duas aeronaves.

O relatório da PF aponta que, conforme o catálogo da Prime You, a cota do Legacy 650 era avaliada em US$ 5.512.951,89. Já a cota do helicóptero EC 155 B1 tinha valor indicado de US$ 1.335.014,01.

O escritório de Viviane, porém, afirma que a negociação não foi concluída e que a minuta nunca se transformou em contrato assinado.

Mensagens sobre o avião

As investigações indicam que as conversas sobre as aeronaves começaram a ganhar forma em maio de 2025.

Em 9 de maio, Daniel Vorcaro teria feito uma chamada de voz com um contato identificado como “Marcos Prime”. Na sequência, pediu que o funcionário encaminhasse a Viviane uma brochura da Prime You com informações sobre os aviões disponíveis.

Entre os modelos apresentados estavam justamente o Legacy 650 e o helicóptero EC 155 B1.

Além das tratativas relacionadas à minuta, mensagens analisadas pela PF apontam que Vorcaro orientava funcionários da Prime You a atender solicitações relacionadas aos voos de Viviane.

Em diferentes conversas, aparecem instruções para que funcionários identificados como Marcos e Thatiane Prime mantivessem o atendimento à advogada e cuidassem do agendamento de voos particulares.

Exposição dos proprietários

Outro trecho das mensagens analisadas pelos investigadores envolve a preocupação com a empresa que ficaria formalmente responsável pela propriedade do jato.

Em uma conversa de 24 de julho de 2025, o advogado Leonardo Palhares teria informado a Vorcaro que havia preocupação com a exposição dos sócios da empresa proprietária do ativo e com possíveis riscos reputacionais.

A troca de mensagens passou a fazer parte do conjunto de elementos analisados no inquérito que tramita no STF e investiga negócios relacionados ao Banco Master e pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes.

O que diz o escritório?

Em nota, o escritório Barci de Moraes negou que tenha sido concluída qualquer operação envolvendo as aeronaves.

Segundo a defesa, houve apenas uma contratação com o Banco Master e não ocorreu transferência ou substituição do acordo por cotas de aeronaves.

“A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”, afirmou o escritório.

Assim, embora o relatório da PF reúna mensagens sobre o uso do Legacy 650 e sobre as tratativas envolvendo as aeronaves, a defesa sustenta que o negócio previsto na minuta não foi formalizado.

* Com informações do portal Metrópoles

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