SETOR IMOBILIÁRIO

Quando a arquitetura nos convida a sentir

Por Marco Vituzzo | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Arquiteto, urbanista e diretor geral da M Vituzzo
Marco Vituzzo é arquiteto, urbanista e diretor geral da M Vituzzo
Marco Vituzzo é arquiteto, urbanista e diretor geral da M Vituzzo

Vivemos em cidades que nos pedem velocidade o tempo todo. Acordamos com notificações, enfrentamos deslocamentos, passamos horas diante de telas, alternamos entre reuniões, compromissos e decisões. Quando finalmente chegamos em casa, muitas vezes continuamos conectados ao ritmo que nos acompanhou durante todo o dia.

Como arquiteto e urbanista, acredito que existe uma pergunta cada vez mais importante a ser feita sobre os espaços que projetamos: eles estão apenas atendendo às nossas necessidades ou também estão ajudando a cuidar de nós?

A arquitetura tem essa capacidade. Ela organiza fluxos, cria experiências e influencia a maneira como percebemos o mundo ao nosso redor. E, diante da ansiedade provocada pelo cotidiano, acredito que a moradia pode assumir um papel ainda mais relevante.

A natureza como contraponto à cidade

A cidade contemporânea é marcada pelo concreto, pelo ruído, pela velocidade e pela informação. A natureza oferece praticamente o oposto: silêncio, organicidade, texturas, aromas, sombra, movimento e ciclos.

É justamente nesse contraste que existe uma oportunidade.

Quando inserimos áreas verdes de maneira generosa nos espaços onde as pessoas vivem, criamos pequenas pausas dentro da rotina. Um caminho cercado por vegetação, uma árvore que produz sombra, o som da água, o perfume de uma espécie aromática ou simplesmente a possibilidade de observar uma paisagem podem mudar a percepção de um ambiente.

Precisamos reconhecer algo que a arquitetura contemporânea vem estudando cada vez mais: nossos sentidos participam ativamente da experiência que temos dos espaços.

É por isso que projetos residenciais precisam ir além daquilo que é imediatamente visível.

Jardins que também se sentem

Quando penso em um jardim aromático, por exemplo, penso em uma experiência que começa antes mesmo de identificarmos conscientemente o que está acontecendo.

Um perfume pode trazer uma lembrança. Uma textura pode despertar curiosidade. O som das folhas ao vento pode criar uma sensação de tranquilidade. A temperatura de um espaço sombreado pode nos convidar a permanecer ali por mais tempo.

O paisagismo deixa, então, de ser apenas uma composição visual e passa a trabalhar com o conjunto dos sentidos.

Essa é uma das razões pelas quais acredito tanto em projetos que oferecem experiências variadas dentro de um mesmo empreendimento. O morador pode ter um espaço para socializar, outro para contemplar, outro para praticar uma atividade física e, principalmente, lugares onde simplesmente não é necessário fazer nada.

Do estresse à pausa possível

O ambiente corporativo também mudou profundamente. A tecnologia permitiu trabalhar de praticamente qualquer lugar, mas trouxe consigo a sensação de que estamos sempre disponíveis.

O resultado é uma dificuldade crescente de estabelecer fronteiras entre trabalho, descanso e vida pessoal.

Nesse cenário, a casa precisa ser mais do que um lugar para dormir. Ela precisa oferecer possibilidades de recuperação.

Não acredito que a arquitetura possa resolver sozinha problemas complexos como ansiedade ou estresse. Isso seria simplificar questões que exigem atenção individual e, muitas vezes, profissional. Mas acredito que podemos projetar ambientes que não agravem o excesso de estímulos e que criem oportunidades reais de pausa.

O futuro da arquitetura passa pelos sentidos

É nesse contexto que conceitos como neuroarquitetura e biofilia deixam de ser tendências passageiras e passam a fazer parte de uma discussão mais ampla sobre qualidade de vida.

Projetar pensando no ser humano significa considerar aquilo que acontece depois da entrega das chaves. Significa imaginar como aquela pessoa vai acordar, circular, encontrar outras pessoas, descansar, contemplar uma paisagem, sentir um aroma, ouvir um som e, eventualmente, caminhar descalça.

No Senses by M Vituzzo, essa visão está na essência do projeto. A proposta de trabalhar os cinco sentidos nas áreas comuns parte justamente da compreensão de que morar é uma experiência muito maior do que ocupar metros quadrados.

Paisagismo exuberante, jardins aromáticos, caminhos sensoriais e espaços de contemplação não são apenas recursos para tornar um empreendimento mais bonito.

Eles representam uma tentativa de devolver à rotina urbana aquilo que a velocidade frequentemente nos tira: tempo para perceber.

Por exemplo, na academia do rooftop do Senses, o conceito de wellness ganha uma nova dimensão. O espaço torna-se um ambiente projetado para a plena conexão entre mente e corpo, onde o treino é potencializado por uma vista panorâmica que convida a expandir o olhar. Ao praticar sua atividade com a cidade aos pés, o morador encontra a oportunidade perfeita para desacelerar o ritmo urbano, integrando o movimento à contemplação. É a arquitetura sensorial em sua essência: um verdadeiro refúgio nas alturas que transforma a rotina em uma experiência de renovação e equilíbrio.

Como arquiteto e urbanista, acredito que essa é uma das responsabilidades mais interessantes da nossa profissão daqui para frente: não projetar edifícios que apenas funcionem, mas que também contribuam para quem vive neles. Porque, em tempos em que constantemente somos convidados a correr, talvez um dos maiores luxos seja ter um lugar que nos ensine a desacelerar e sentir.

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