Um homem de 28 anos foi preso em flagrante na quinta-feira (27), em Queluz, suspeito de envolvimento no furto de 22 cabeças de gado e de coagir um administrador de fazenda a participar da retirada dos animais. A ocorrência também envolve suspeitas de extorsão e tráfico de drogas.
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A investigação começou após o desaparecimento de dez cabeças de gado de uma propriedade rural. Durante o depoimento do administrador, os policiais identificaram indícios de que ele também poderia estar sendo vítima de ameaças e extorsão.
Segundo o boletim de ocorrência, o administrador afirmou que precisava de dinheiro para quitar dívidas de IPTU e contas de água.
Ele teria combinado um empréstimo de R$ 10 mil com o investigado, mas recebeu apenas R$ 2 mil. A partir dessa relação, o suspeito teria pressionado o homem a identificar animais e colaborar com a retirada do gado.
Mensagem levou polícia até suspeito
Um dos elementos que contribuíram para o flagrante foi uma mensagem de áudio recebida pelo administrador enquanto ele estava na Delegacia de Queluz. Conforme o relato policial, o suspeito teria exigido que a vítima avisasse quando deixasse a unidade e permanecesse em silêncio sobre o suposto envolvimento dele no caso.
A mensagem tinha visualização temporária e acabou apagada, mas os policiais fizeram registros da tela do celular. Na sequência, uma equipe foi até a residência do investigado, no bairro Figueira.
Durante a ação, os policiais apreenderam dois celulares, uma balança de precisão com resquícios de pó branco, uma faca com resíduos, uma pequena travessa metálica com vestígios de substância e dois pedaços de plástico.
Os materiais foram relacionados, no boletim, à suspeita de tráfico de drogas. O documento, porém, não apresenta resultado de perícia que identifique a composição dos resíduos encontrados.
O suspeito teria dito informalmente aos policiais que poderia devolver o gado, mas se recusou a desbloquear um dos celulares para que os agentes entrassem em contato com um possível receptador. No interrogatório formal, acompanhado por dois advogados, ele permaneceu em silêncio.
Investigação apura destino de animais
De acordo com o boletim, dez dos animais pertenciam ao proprietário da fazenda que comunicou inicialmente o furto. Outras 12 cabeças pertenciam ao empregador do administrador. Na ocasião do registro, o responsável pelos outros animais ainda não teria conhecimento do furto.
O administrador também relatou que não tinha contato com o responsável pelo transporte dos animais. Segundo o depoimento, essa comunicação ficava sob responsabilidade do suspeito. A investigação ainda deverá esclarecer a participação de outras pessoas e o possível destino do gado.
A Polícia Civil solicitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva e pediu autorização judicial para acessar os dados dos celulares apreendidos. A medida busca identificar contatos, mensagens e outras informações que possam ajudar a esclarecer o furto, o transporte dos animais e os demais crimes investigados.
O homem foi encaminhado ao Centro de Triagem de Cruzeiro e permaneceu à disposição da Justiça. Até o registro consultado, não havia informação sobre uma decisão judicial posterior a respeito da prisão preventiva nem confirmação documental de que as 22 cabeças de gado haviam sido recuperadas.