O caminho para o futuro.
O Fórum OVALE Taubaté#400 resgatou a história da cidade para entender os desafios atuais e debater o futuro de Taubaté, reunindo representantes dos setores público, empresarial, acadêmico e da sociedade nesta sexta-feira (28), no auditório do Departamento de Gestão e Negócios da Unitau (Universidade de Taubaté), no centro de Taubaté. O evento contou com transmissão ao vivo pelo site e pelo YouTube de OVALE.
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Com o auditório lotado, Fernando Salerno, diretor-presidente de OVALE, fez o discurso de abertura logo às 9h. Ele recordou o passado pioneiro da cidade e disse que Taubaté “se reposiciona diante da história” para sedimentar seu futuro.
“Desde o Brasil colônia, quando bandeirantes taubateanos desbravavam trilhas rumo às minas de ouro de Minas Gerais, a cidade de Taubaté carrega em seu DNA a vocação para abrir novos caminhos. Hoje, mais uma vez, Taubaté se reposiciona diante da história, superando desafios e olhando à frente. Um novo ciclo se inicia, agora iluminado pela inovação, pela tecnologia e pelo conhecimento”, afirmou.

No final do discurso, Salerno mencionou o pai e disse que não se deve perder a fé de que as coisas podem melhorar;
“Parafraseando meu pai, Ferdinando Salerno, no discurso de lançamento do antigo jornal valeparaibano, em dezembro de 1977, ‘seja nos nossos momentos de alegria ou de tristeza, de bonança ou de penúria, não devemos jamais perder a fé nos dias melhores que hão de vir’”, finalizou.
Na sequência, fizeram discursos breves de boas-vindas a reitora da Unitau, Letícia Maria, o prefeito de Taubaté, Sérgio Victor, e o vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth.
‘Olhar para o passado com respeito’
Felicio destacou a importância de olhar para a história de Taubaté com respeito e, ao mesmo tempo, estabelecer estratégias para o presente e o futuro.
“Vamos olhar para o passado com respeito, para o presente com muita capacidade de trabalho e para o futuro com planejamento”, afirmou.
Segundo o vice-governador, a realização do Fórum é importante para estabelecer prioridades e discutir projetos de longo prazo. Ele ressaltou que o Brasil ainda possui pouca tradição em planejamento e que iniciativas como essa podem contribuir para melhorar os resultados dos investimentos públicos.

Felicio ressaltou a importância estratégica de Taubaté para a economia paulista e regional, especialmente nos setores industrial, tecnológico e de mobilidade. Para ele, a retomada da atividade industrial é um dos sinais positivos do atual momento econômico do município.
O vice-governador afirmou que Taubaté registrou crescimento de mais de 21% na arrecadação de ICMS em comparação com o ano anterior. Segundo ele, o resultado demonstra a força e a retomada da atividade industrial. Ramuth também citou a geração de aproximadamente 10 mil novos empregos desde o início da atual gestão estadual.
“Taubaté está no caminho certo, planejando um futuro que vai ficar melhor”, declarou.
Carro voador
A primeira palestra do Fórum foi de Cleber Lorenzi, Head de Industrialização da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. Ele abordou o tema “Taubaté, a capital dos carros voadores”, fazendo um apanhado do desenvolvimento do eVTOL, sigla em inglês para aeronave de decolagem e aterrissagem vertical elétrica, o popular “carro voador”.
O executivo da Eve disse que o eVTOL representa o futuro da mobilidade urbana aérea. "Estamos desenvolvendo todo o ecossistema de mobilidade aérea urbana para o eVTOL que será fabricado em Taubaté".

"Nosso produto será fabricado em Taubaté. É uma aeronave que decola como um helicóptero e que, depois que começa a voar e alcança uma determinada velocidade, ele vira um avião", disse.
"Nós somos o único desenvolvedor que conta como um fabricante como a Embraer, com 57 anos de experiência", afirmou.
Lorenzi disse que o veículo da Eve deve ser certificado até 2028 para entrar em serviço comercial.
Primeira mesa-redonda
O Fórum contou ainda com duas mesas-redondas que debateram a história e o futuro de Taubaté. O tema da primeira foi “Taubaté e a história do Brasil: passado presente”, com a participação da historiadora Rachel Abdala, diretora do Departamento de Ciências Sociais e Educação da Unitau, do pesquisador Pedro Rubim, fundador do Almanaque Urupês, e do arquiteto, urbanista e professor especialista em Patrimônio Cultural Benedito Assagra Ribas de Mello. A mediação foi do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi.
O debate colocou em perspectiva a importância de Taubaté na história brasileira, além de discutir a preservação da memória e do patrimônio cultural do município.
Pedro Rubim contou que, no início de Taubaté, houve muita “disputa e derramamento de sangue nos conflitos com pessoas que já estavam na região de Tremembé”.
Rachel Abdala afirmou que o local de Taubaté na história precisa ser descoberto pelas pessoas. "Há percepções históricas que as pessoas não conhecem. Se a gente não conhece, não chegamos ao futuro".

Benedito Assagra falou sobre o patrimônio histórico de Taubaté. "Me impressiona o patrimônio de Taubaté. Andar pela cidade é passear pela história. A ideia de saber do nosso passado é valorizar o futuro. Não há contradição nisso".
Para ele, essa história deve ser conhecida por todos. "É possível fazer vários roteiros históricos caminhando por Taubaté”.
Rachel defendeu ainda a revitalização e o reconhecimento do patrimônio histórico da cidade. "Precisamos conhecer esse patrimônio e essa história. Isso é vital para nosso futuro".
Pedro explicou que o ciclo do ouro foi importante por ajudar a formar a identidade de Taubaté. "A cidade é formada para se buscar o ouro. Em uma carta, temos a frase sobre as 'minas de Taubaté '. Isso é muito simbólico", afirmou.
Sobre o revisionismo histórico, Rachel lembrou que os monumentos e os personagens do passado devem ser conhecidos e debatidos, mas não destruídos e nem cancelados. "O monumento de Taubaté é o seu acervo histórico", disse.
Benedito lembrou que a história tem relação com a memória afetiva das pessoas, que tem um valor para os moradores da cidade, devendo ser preservado e conhecido. Ele defendeu que ia imóveis históricos sejam preservados e que tenham uma função para que não fiquem esquecidos.
Segunda mesa-redonda
O outro debate mirou as perspectivas econômicas e empresariais do município. A segunda mesa-redonda teve como tema “Taubaté, rumo aos 400 anos: caminhos do futuro”.
Participaram Vilque Rojas, diretor da fábrica da Volkswagen em Taubaté, Thiago Torres, diretor da fábrica da Alstom em Taubaté, Priscila Souza, CEO da Milclean, e Fernando César de Moraes, delegado municipal do Creci. A mediação foi do repórter especial de OVALE, Xandu Alves.
A discussão abordou as perspectivas para a indústria, os negócios e o desenvolvimento econômico de Taubaté, em um momento em que a cidade se prepara para completar 400 anos.
Vilque Rojas disse que o mais importante do que ganhar o jogo é continuar jogando, referindo-se à sustentabilidade da fábrica da Volkswagen em Taubaté nos próximos anos.
"Então, para mim, isso é o grande desafio. Ter a continuidade, garantir novos investimentos, garantir modernização, novos produtos. E muito focado internamente também é o trabalho em cima das pessoas”, afirmou.
O executivo da montadora disse que o desafio é “trabalhar para ter um ambiente mais saudável, ter um ambiente diverso e valorizar nossas pessoas, sejam mulheres, sejam PCD, seja toda essa gama”.
“A gente acredita muito que esse é o diferencial que vai trazer um resultado muito grande. Então, o nível alto hoje de Taubaté talvez seja porque a gente invista em pessoas, como no aumento das mulheres na empresa. Aí você tem o privilégio de ver uma fábrica alegre. Eu acho que essa é uma mensagem positiva, acho que esse é o futuro que eu espero em Taubaté.”
Thiago Torres falou sobre investimentos da Alstom na fábrica de Taubaté. “A gente investiu mais de 130, 150 milhões na planta de Taubaté. A gente não pode deixar esse investimento ser perdido. Então, a gente tem que lutar pela sobrevivência da indústria nacional”.
“Eu me orgulho muito de ter começado há 25 anos, começando como estagiário, passando por diversas áreas, tendo oportunidade de trabalhar em vários países pela empresa, ter morado fora muitos anos. Então, a gente não vai desistir do Brasil, não vai desistir da nossa planta em Taubaté, mas a gente tem que ser muito resiliente, porque não é fácil. Com juros altos, as dificuldades econômicas...”, argumentou
Priscila Souza contou como a Milclean trabalha com tecnologia e inovação, sempre com foco nas pessoas. "O desafio é implantar tecnologia, mas entender que quem opera são as pessoas. Nosso planejamento precisa ter isso em mente. A gente precisa crescer, mas também capacitar as pessoas”.
“Então, hoje, nós estamos em praticamente no Brasil todo. Nós temos nos Estados Unidos, em Orlando, e um projeto futuro para Portugal. Então, quando a gente fala isso, estamos levando o nome de Taubaté para fora também”, disse
Fernando César refletiu sobre o mercado imobiliário em Taubaté. “Até 2024 era o quarto maior mercado imobiliário. Em 2025 já é o terceiro. A gente tem grandes perspectivas para o futuro. Estamos passando por um período de transição com crédito caro, mas o futuro não nos assusta, a gente precisa fazer o futuro acontecer.”
Universidade e cidade
Os discursos finais do Fórum foram de Letícia Maria, reitora da Unitau, e de Sérgio Victor, prefeito de Taubaté.
Letícia disse que a universidade tem um papel fundamental para o desenvolvimento e o futuro das cidades.
"Nosso papel também é de pautar os caminhos e responder às demandas da sociedade, além de criar essas pautas. Uma universidade não apenas divulga o conhecimento, mas produz o conhecimento".
Segundo a reitora, a transformação observada em Taubaté nas últimas décadas tem a presença da Unitau com a formação de pessoas e profissionais para mudar e desenvolver a sociedade.
‘Consenso para o futuro’
Sérgio Victor disse que a cidade precisa estabelecer consensos e trabalhar no desenvolvimento a longo prazo, sem “populismo” e para além dos períodos de disputa eleitoral.
“Talvez um dos grandes desafios de Taubaté, de acertar a direção, é que parece que a gente muda a direção o tempo todo, ou por não concordar, ou por política, mas depende do motivador. Cada vez que a gente muda radicalmente a direção, a gente deixa de andar para a frente. E a gente para de entregar, para de usar bem o dinheiro do pagador de imposto", afirmou o mandatário.
O encerramento do Fórum foi marcado pela entrega do pacto “Taubaté#400, construindo o futuro”, que foi feito por Fernando Salerno para o prefeito da cidade, na forma simbólica de um quadro com a edição especial de OVALE do projeto Taubaté#400.
Taubaté rumo aos 400 anos
O Fórum OVALE Taubaté#400 integra o projeto especial desenvolvido por OVALE para marcar a trajetória do município, fundado em 1645, e estimular uma reflexão sobre os caminhos que a cidade poderá seguir nas próximas décadas.
A proposta é olhar para os quase quatro séculos de história de Taubaté sem perder de vista os desafios que estão diante da cidade. Indústria, tecnologia, educação, patrimônio, desenvolvimento econômico e inovação estarão presentes nas discussões.
O projeto Taubaté#400 também conta com conteúdo especial nas plataformas de OVALE, incluindo reportagens, vídeos, infográficos, podcasts e outras ações ao longo do período de comemoração.
O projeto especial Taubaté#400, desenvolvido por OVALE, conta com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté e patrocínio da Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Milclean e Avocar. Veja a apresentação do projeto nesse link.