A tia de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, foi presa preventivamente nesta quinta-feira (27), após a morte da menina, que apresentava sinais de violência. A mulher é investigada no caso, embora a Polícia Civil não atribua a ela, até o momento, a prática das agressões.
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Em Porto Alegre, o mandado contra Eduarda Beatriz Costa Ramiro foi cumprido por volta das 10h. O companheiro dela, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, já estava preso preventivamente. Ele é investigado pela morte da criança.
Samylle foi levada pelos tios a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) durante a madrugada de 17 de agosto. A menina já estava sem vida e apresentava manchas roxas pelo corpo.
Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta que Eduarda não teria participado das agressões. A suspeita é de que ela tenha chegado em casa e encontrado a criança com marcas de violência, mas não teria procurado atendimento médico ou acionado as autoridades.
Tia teria visto menina ferida
A delegada Alice Fernandes afirmou que Eduarda teria chegado à residência entre 21h e 21h30 e permanecido no local por horas antes de a criança ser levada à UPA.
“Ela chegou em casa por volta, no máximo entre 21h e 21h30, ou seja, durante pelo menos três horas vendo a menina com as lesões, vendo a menina já no estado crítico, ela não tomou nenhuma providência para salvar a vida dessa menina”, afirmou a delegada.
O atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte. A Polícia Civil aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica das agressões e as circunstâncias que levaram à morte.
Menina morava com os tios
Samylle vivia havia cerca de dois meses com os tios, com autorização do Conselho Tutelar. Segundo as informações da investigação, a criança chamava Nicolas de pai.
A Polícia Civil trata o caso como homicídio doloso. O inquérito tem prazo de dez dias para ser concluído.
Os processos judiciais relacionados à família tramitam em segredo de Justiça, por envolverem crianças.
Defesa contesta versão sobre agressões
A defesa de Nicolas contesta a versão de que ele tenha confessado ter provocado a morte da menina. Em nota, o advogado Demetrius Barreto Teixeira, que atua no caso ao lado das advogadas Aline Rassier e Marilu Espíndola, afirmou que o investigado admitiu apenas ter dado palmadas na criança depois que ela defecou na roupa.
Segundo o advogado, a defesa pretende questionar a conclusão de que as agressões atribuídas a Nicolas foram responsáveis pela morte de Samylle.
A defesa também sustenta que a menina poderia ter sofrido o traumatismo cranioencefálico em outro momento e pretende pedir esclarecimentos à perícia para determinar quando a lesão ocorreu.
Ainda segundo o advogado, Nicolas tentou socorrer a criança quando ela passou mal durante o deslocamento até a UPA. A defesa afirma que pretende reunir elementos para comprovar a inocência do investigado.
A investigação continua para esclarecer a participação de cada envolvido e determinar as circunstâncias da morte da menina.