A história da prosperidade de Taubaté no século 19 está diretamente ligada ao trabalho de milhares de homens e mulheres escravizados.
Foram eles que, explorados, sustentaram a produção de café, responsável por transformar fazendeiros em barões, viscondes e conselheiros do Império, acumulando fortunas que influenciaram a economia, a política e o desenvolvimento da cidade.
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A riqueza construída durante o ciclo cafeeiro teve como base um sistema escravista profundamente organizado e violento. Até 1888, a maior parte da mão de obra nas fazendas de café era formada por pessoas escravizadas, submetidas a jornadas exaustivas e privadas de qualquer direito.
De acordo com historiadores, a ocupação do Vale do Paraíba fazia parte de um projeto econômico da Coroa Portuguesa.
A fundação de vilas como Taubaté tinha o objetivo de abrir caminhos para a exploração de riquezas, especialmente o ouro.
Esta reportagem integra o projeto Taubaté#400, iniciativa de OVALE que propõe uma reflexão sobre a trajetória da cidade, os desafios do presente e as oportunidades para as próximas décadas. Desenvolvido por OVALE, o projeto conta com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté e patrocínio da Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Milclean e Avocar.
Violência
Nesse contexto, expedições comandadas por bandeirantes, entre eles Jacques Félix, utilizaram a violência como instrumento para eliminar a resistência indígena e consolidar a presença portuguesa na região.
A descoberta das minas de ouro em Minas Gerais fortaleceu ainda mais a importância estratégica de Taubaté, que se tornou ponto de passagem entre o litoral e o interior. Com o declínio do ciclo do ouro, o café assumiu o protagonismo econômico, transformando completamente a região.

Com o trabalho escravo, café criou os primeiros multimilionários de Taubaté
FAZENDAS. O café criou os primeiros multimilionários de Taubaté. Muitos receberam títulos de nobreza, tornaram-se barões, viscondes e conselheiros do Império, financiaram obras públicas, emprestaram dinheiro ao governo imperial e exerceram enorme influência política.
Entre esses personagens está Francisco Alves Monteiro, apontado pelos pesquisadores como um dos principais responsáveis pela formação de grandes patrimônios na cidade. Seus descendentes se tornariam o Visconde de Tremembé e o Barão de Mossoró, integrantes da elite econômica construída durante o ciclo do café.
Outro nome de destaque foi o Conselheiro Antônio Moreira de Barros. Embora tenha se tornado uma das principais vozes do movimento abolicionista em Taubaté, também era proprietário de mais de 300 pessoas escravizadas. Sua defesa da abolição estava condicionada ao pagamento de indenizações pelo Estado aos fazendeiros, já que os escravizados representavam grande parte do patrimônio das propriedades rurais.
Já na segunda metade do século 19, o sistema escravista começou a enfrentar dificuldades econômicas.