Treta histórica.
Antes mesmo do município existir, o território de Taubaté esteve no centro de uma disputa política e familiar entre nobres portugueses.
A história reúne uma condessa, a perda de territórios e a missão entregue ao bandeirante Jacques Félix (1570 - entre 1651 e 1658) para ocupar o interior paulista.
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Mariana de Sousa Guerra (1570 - 1645), a Condessa de Vimieiro, era neta de Martim Afonso de Souza (1500 - 1564), primeiro donatário da Capitania de São Vicente. Entre 1621 e 1624, ela assumiu o controle da capitania e se tornou a quarta donatária.
Após perder parte de seus domínios em uma disputa com Álvaro Pires de Castro e Souza (1590 - 1674), o Conde de Monsanto, ela criou, no ano de 1624, a Capitania de Itanhaém, cujo território se estendia do rio Juqueriquerê, em São Sebastião, até Angra dos Reis e avançava pelo interior do mapa.
A estratégia era ampliar a ocupação portuguesa.
Em 1636, Mariana determinou que suas terras no interior fossem ocupadas e protegidas. A missão acabou nas mãos do bandeirante Jacques Félix.
Sua atuação consistia em preparar o território para a expansão colonial, eliminando obstáculos que impediam a passagem das bandeiras rumo às áreas onde se acreditava existir ouro.
Entre 1639 e 1640, Félix começou a organizar o povoado que daria origem à Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté. O trabalho reuniu famílias, distribuiu terras e criou uma estrutura de segurança. Em 5 de dezembro de 1645, o povoado foi elevado à condição de vila.
O núcleo inicial foi planejado na área da atual Praça Dom Epaminondas. O terreno era alto e plano, com água e solo fértil.

Henrique Bernardelli/ Ciclo da caça ao índio (1922)
Empresa colonial
Os historiadores e pesquisadores Pedro Rubim e Angelo Rubim, do Almanaque Urupês, apontam que a fundação de Taubaté tinha um objetivo maior do que criar uma comunidade.
A vila de Taubaté funcionava, naqueles tempos, como “empresa colonial”: ponto estratégico para apoiar bandeiras e ampliar a ocupação portuguesa rumo aos sertões do Brasil.
A busca pelo ouro pesava.
A Coroa Portuguesa acreditava na existência de riquezas no Sabarabuçu, o lendário “Morro Dourado”, associado ao atual território de Minas Gerais (ler o texto nas páginas 4 e 5).
A Taubaté de Jacques Félix ajudava, portanto, a abrir caminhos e abastecer expedições.
Matança indígena
Com caminhos banhados de sangue, esse processo teve um custo humano brutal.
A expansão colonial foi marcada pela expulsão e pela violência contra os povos indígenas que ocupavam o território hoje abriga o Vale do Paraíba.
Segundo os pesquisadores, documentos do século 17 indicam que entre 5 mil e 6 mil indígenas foram capturados e incorporados ao sistema colonial por diferentes formas de escravização e servidão.
A origem de Taubaté reúne uma ‘treta’ entre nobres, chacina indígena, interesses econômicos, bandeirantes, avanço da colonização e o sonho do ouro.
Esta reportagem integra o projeto Taubaté#400, iniciativa de OVALE que propõe uma reflexão sobre a trajetória da cidade, os desafios do presente e as oportunidades para as próximas décadas. Desenvolvido por OVALE, o projeto conta com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté e patrocínio da Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Milclean e Avocar.